Eduardo Paes pede a cassação de Douglas Ruas por suspeitas de irregularidades nas eleições
A campanha de Eduardo Paes solicitou à Justiça Eleitoral a investigação de Douglas Ruas e da Coligação Rio Real por suspeitas de compra de votos e coação de eleitores. A ação, protocolada em 1º de novembro, pede a cassação do registro ou diploma de Ruas com base em denúncias de propaganda enganosa e irregularidades no pleito de 2026
A campanha de Eduardo Paes (PSD) protocolou, no dia 1º de novembro, uma ação na Justiça Eleitoral solicitando a investigação de possíveis irregularidades cometidas por Douglas Ruas (PL) e pela Coligação Rio Real durante o pleito de 2026. O pedido jurídico busca a cassação do diploma ou do registro de Ruas, baseando-se em suspeitas de coação de eleitores e compra de votos.
A petição fundamenta as alegações em quatro pilares: a circulação de santinhos apócrifos, a distribuição de propaganda enganosa, a ocorrência de votos nulos com o número 13 e a suposta compra de votos. Para sustentar a denúncia, foram anexados registros policiais, reportagens, publicações em redes sociais e outros documentos que agora aguardam análise judicial.
Propaganda e indução ao erro
Um dos pontos centrais da ação questiona a produção de 100 mil panfletos com o título "DOUGLAS RUAS - EVANGÉLICO", custeados pelo Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). A defesa de Paes alega que o material continha informações falsas sobre a postura do candidato em relação a banheiros unissex, liberação de drogas e aborto, visando manipular o eleitorado religioso.
A campanha de Paes também contesta o material "RIO ESCOLHE", que vinculava sua imagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e enfatizava o número 13. A acusação sustenta que a peça poderia induzir o eleitor a digitar 13 para o cargo de governador, embora o número oficial de Paes fosse 55.
De acordo com a petição, houve a anulação de 204.309 votos para governador com a digitação do número 13. O documento argumenta que, caso esses votos tivessem sido computados para Paes, o resultado do primeiro turno seria alterado, impedindo a vitória imediata de Ruas. No pleito, Ruas obteve 4.271.199 votos (50,88% dos válidos), enquanto Paes somou 3.706.984 (44,16%).
Suspeitas de compra de votos e coação
A ação detalha a circulação de santinhos sem identificação de gráfica ou contratante que associavam o nome e a foto de Eduardo Paes ao número 22, utilizado por Douglas Ruas.
No âmbito das suspeitas de compra de votos, a petição destaca dois episódios específicos:
- A apreensão de R$ 600 mil em espécie e planilhas com Priscila Alencar dos Santos, filha da deputada federal Soraya Santos (PL), em Niterói.
- A apreensão de R$ 2 mil, materiais de campanha e um crachá de fiscal partidário dentro de um veículo em Teresópolis, no dia da eleição.
Além disso, a representação inclui relatos de redes sociais como Facebook, Instagram, X, Threads e Reddit, onde usuários afirmam ter recebido valores entre R$ 50 e R$ 200 para votar.
Pedidos judiciais
Para viabilizar a apuração, os advogados de Paes solicitaram que as plataformas digitais forneçam dados de mais de 60 perfis mencionados no processo, a fim de identificar e ouvir possíveis testemunhas. A ação requer, ainda, que a Polícia Federal, a Polícia Civil, o Ministério Público Eleitoral e órgãos de fiscalização compartilhem investigações e procedimentos relacionados aos fatos narrados.