Política

Empresários do agronegócio são os principais doadores individuais nas campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro

24 de Outubro de 2026 às 07:59 3 min de leitura

Empresários do agronegócio são os principais doadores individuais de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), segundo dados do TSE. Eloi Vitório Marchett doou R$ 2 milhões a Flávio Bolsonaro, enquanto Erasmo Carlos Battistella destinou R$ 500 mil a cada candidato

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Empresários do agronegócio são os principais doadores individuais nas campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro
Vittor Sales / Ricardo Stuckert

Empresários do agronegócio figuram como os principais doadores individuais nas campanhas presidenciais de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), conforme dados parciais de prestação de contas enviados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O setor, que representa aproximadamente 25% do PIB brasileiro, exerce influência financeira em ambos os polos políticos, embora a legislação eleitoral limite as contribuições a pessoas físicas, vedando doações de empresas.

Na campanha de Flávio Bolsonaro, o maior aporte provém de Eloi Vitório Marchett, empresário do setor de soja, com a soma de R$ 2 milhões. Já na candidatura de Lula, o topo da lista é ocupado por Erasmo Carlos Battistella, CEO da produtora de biodiesel Be8 e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável do governo federal, que contribuiu com R$ 500 mil. Vale notar que Battistella destinou o mesmo valor à campanha de Flávio Bolsonaro.

O levantamento indica ainda que 34% dos doadores de Flávio Bolsonaro já haviam financiado a campanha de Jair Bolsonaro em 2022, enquanto a recorrência de doadores na campanha de Lula foi de 1,4%. O prazo final para a entrega das contas pelas campanhas do segundo turno encerra-se em 14 de novembro.

Propostas para o setor rural

As agendas dos candidatos convergem em pontos como a produção de biocombustíveis e a redução da dependência de fertilizantes estrangeiros, mas divergem nas prioridades de crédito e gestão fundiária.

Lula foca na expansão do crédito rural por meio do Plano Safra e do Pronaf, visando simplificar o acesso ao financiamento, inclusive via digitalização. Seu plano prevê a criação de um programa nacional de resiliência climática, com foco em irrigação, conservação do solo e modernização meteorológica. O candidato propõe ainda fortalecer a agricultura familiar através de assistência técnica, reforma agrária, regularização fundiária e a ampliação do Garantia-Safra. No campo comercial, a meta é utilizar a diplomacia para abrir novos mercados internacionais.

Flávio Bolsonaro prioriza a infraestrutura tecnológica, propondo a ampliação da conectividade rural através do programa Wi-Fi Brasil. Suas metas incluem a simplificação de autorizações para irrigação, especialmente no semiárido e na região do Matopiba, e a aceleração da titulação de pequenas propriedades. O candidato defende a unificação dos cadastros ambiental e fundiário, além de propor linhas de financiamento específicas para empresas de biogás e a reorganização de dívidas de produtores rurais.

Demandas institucionais do campo

Entidades representativas do setor rural estabeleceram condições e prioridades para a próxima gestão presidencial, focando em estabilidade econômica e governança.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) condiciona a melhoria do endividamento dos produtores ao controle dos gastos públicos, visando a redução das taxas de juros. A entidade também alerta para a escassez de mão de obra no campo — desafio citado por 44,5% dos produtores em estudo da CNA — e sugere a reformulação de programas sociais para incentivar o retorno ao trabalho rural.

Paralelamente, a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) apresentou uma agenda estratégica dividida em cinco eixos:

  • Implementação de política nacional de financiamento e resiliência climática;
  • Fortalecimento das cadeias produtivas via política industrial;
  • Criação de modelo de governança para coordenar investimentos públicos e privados;
  • Valorização da agroindústria perante a sociedade;
  • Intensificação da defesa comercial para consolidar a bioeconomia e a transição energética brasileira.

A Abag defende a criação de um ambiente institucional previsível para atrair capital privado e a instituição de uma política de comunicação baseada em evidências científicas para combater a desinformação no setor.

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