Política

Especialista afirma que classificação de facções brasileiras como terroristas pelos Estados Unidos é ineficaz

29 de Maio de 2026 às 12:09

A classificação de facções brasileiras como organizações terroristas pelos Estados Unidos é criticada por Luis Flávio Sapori como ineficaz e um risco à soberania nacional. A medida surge após diálogos entre o senador Flávio Bolsonaro e Donald Trump sobre a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva

A classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos Estados Unidos não amplia a segurança pública nem intimida grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). De acordo com Luis Flávio Sapori, professor da PUC Minas e membro associado do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a medida é ineficaz para a população, que sofre os impactos diretos do domínio desses grupos.

A iniciativa é vista como um risco à soberania nacional e uma tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro por parte de setores específicos. Sapori argumenta que a ação não configura cooperação técnica, a qual seria necessária para combater a entrada de armas provenientes dos Estados Unidos no Brasil.

A movimentação ocorre após diálogos entre o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência, e o ex-presidente americano Donald Trump e seus aliados. Na ocasião, o parlamentar afirmou que a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva seria conivente com organizações criminosas e que tais facções possuiriam vínculos com grupos terroristas internacionais.

Durante a conversa, Trump questionou a capacidade do governo brasileiro de manter o controle sobre o próprio território. Os interlocutores concordaram que a situação no Brasil seria mais grave do que a enfrentada pelo México.

Essa comparação, no entanto, é classificada como absurda por Sapori. O professor pontua que a cocaína brasileira tem como destino a África, a Ásia e a Europa, não representando a ameaça central aos Estados Unidos. Para o especialista, o perigo imediato ao território americano é o fentanil, droga que ingressa no país por meio de cartéis mexicanos, e não via Brasil.

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