Política

Estados Unidos afirmam que Brasil falhou no combate ao PCC e ao Comando Vermelho

17 de Setembro de 2026 às 18:38 3 min de leitura

Relatório dos Estados Unidos assinado por Donald Trump afirma que o Brasil falhou no combate ao PCC e ao CV, classificando-os como organizações terroristas. A secretária Nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães Loula, refutou a menção por falta de consistência jurídica

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Estados Unidos afirmam que Brasil falhou no combate ao PCC e ao Comando Vermelho
Cíntia Acayaba/g1

O governo dos Estados Unidos, em relatório anual enviado ao Congresso americano, afirmou que o Brasil falhou no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). O documento, assinado pelo presidente Donald Trump, classifica as duas facções como organizações terroristas e as define como uma ameaça à segurança mundial, alegando que as organizações transformaram o território brasileiro em um centro para o fluxo global de cocaína.

No texto, Trump solicita que a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva adote medidas enérgicas e urgentes para enfrentar os grupos, contrastando a postura brasileira com a de outros governos do Hemisfério Ocidental que estariam tomando atitudes corajosas para erradicar cartéis.

Posicionamento do governo brasileiro

A secretária Nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães Loula, manifestou perplexidade diante da menção ao Brasil no relatório. Durante o 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em São Paulo, a secretária argumentou que a referência carece de consistência jurídica, uma vez que o Brasil não integra a lista de 23 países classificados pelos Estados Unidos como principais produtores ou locais de trânsito de drogas.

Maria Rosa destacou que o documento é uma determinação interna dos EUA e que a citação ao país parece ser uma manifestação opinativa lateral, sem aprofundamento. A secretária ressaltou que o Estado brasileiro tem atuado consistentemente contra as facções, citando a implementação da Lei Antifacção e a realização de milhares de investigações, apreensões, operações e processos de cooperação policial e inteligência internacional.

Devido à ausência de enquadramento do Brasil em qualquer categoria jurídica do relatório, a secretária avaliou que não há necessidade de uma resposta formal. Segundo ela, uma manifestação oficial poderia conferir ao documento uma relevância que ele não possui, podendo ser interpretada como uma resposta a uma provocação indevida.

Panorama global e cooperação internacional

O relatório detalha a situação do narcotráfico global e lista 23 nações como pontos críticos de produção ou trânsito, incluindo:

  • Américas: Bahamas, Belize, Bolívia, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Jamaica, México, Nicarágua, Panamá, Peru e Venezuela.
  • Ásia: Afeganistão, China, Índia, Laos, Mianmar e Paquistão.

O documento aponta que a Colômbia, Bolívia, Mianmar e Afeganistão falharam em cumprir obrigações de acordos internacionais contra o narcotráfico no último ano. Adicionalmente, a Casa Branca solicitou que o Canadá combata laboratórios clandestinos e que o México atue contra organizações narcoterroristas que dominam territórios. Sobre a China, Trump afirmou que o país deve reduzir o fluxo de substâncias utilizadas na produção de fentanil.

Análise diplomática e política externa

O relatório também menciona que mudanças políticas recentes em países da América do Sul, como Venezuela, Bolívia e Colômbia, criaram oportunidades históricas para a cooperação com os Estados Unidos, embora novas medidas ainda sejam necessárias nesses locais.

Diplomatas brasileiros avaliaram que o conteúdo do documento reflete o viés da política externa de Donald Trump na América Latina. A análise indica a existência de seletividade por parte da Casa Branca, visto que governos alinhados a Trump receberam menções positivas, apesar de também terem sido apontados por falhas no combate às drogas.

Com informações de G1

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