Estados Unidos classificam como absurda a análise do Itamaraty sobre possíveis intervenções militares no Brasil
O governo dos Estados Unidos negou a possibilidade de intervenções militares no Brasil após classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A medida, anunciada por Marco Rubio, resultou no bloqueio de bens e transações financeiras de pessoas e empresas ligadas ao PCC. O Itamaraty afirmou não ter sido notificado formalmente sobre a decisão
O governo de Donald Trump rebateu a análise do Itamaraty que sugeria a possibilidade de intervenções militares dos Estados Unidos em território brasileiro após a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em comunicado emitido nesta terça-feira (7), o Departamento de Estado descreveu a avaliação brasileira como absurda, justificando que as medidas adotadas seguem a legislação norte-americana para combater facções que já operam dentro dos EUA. O porta-voz do órgão afirmou que a proteção da população local é a prioridade e criticou alegações de intervenção, classificando-as como pretextos que podem favorecer grupos violentos.
A tensão diplomática teve início em junho, quando os Estados Unidos ignoraram as solicitações do governo federal brasileiro e oficializaram o enquadramento do PCC e do CV como terroristas, decisão anunciada pelo secretário de Estado, Marco Rubio. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, informou à Câmara dos Deputados, em documento datado de 2 de julho, que o Brasil não foi notificado formalmente antes do anúncio. Em resposta a um questionamento do deputado Evair de Melo (Republicanos-ES), Vieira detalhou que a classificação poderia resultar em ações militares unilaterais dos EUA no Brasil, motivo pelo qual o governo brasileiro se opôs à medida, alegando ausência de benefícios e riscos de consequências internas.
Na prática, a decisão já resultou em sanções econômicas implementadas na última semana pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. A primeira rodada de punições visa bloquear bens em solo americano e restringir transações financeiras de entidades e pessoas ligadas ao PCC. A lista inclui os brasileiros Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, além das empresas Pixwave Solucoes de Pagamentos Ltda, Wave Construcoes Inteligentes Ltda, Victory Trading Intermediacão De Negocios Cobrancas E Tecnologia Ltda e a portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda.