Política

Estados Unidos classificam facções criminosas brasileiras como organizações terroristas após visita de Flávio Bolsonaro

30 de Maio de 2026 às 12:12

O senador Flávio Bolsonaro reuniu-se com Donald Trump nos EUA, onde o governo norte-americano classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Paralelamente, a Câmara dos Deputados aprovou a PEC que reduz a jornada de trabalho e extingue a escala 6x1. O presidente Lula criticou a decisão dos Estados Unidos e acusou o senador de traição à pátria

O cenário político brasileiro registrou movimentações contrastantes entre as principais figuras que se posicionam para a disputa presidencial de 2026, alternando entre desgastes institucionais e avanços legislativos.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) enfrentou repercussões negativas no início da semana após a divulgação de mensagens e a revelação de uma reunião com o proprietário do Banco Master. As informações, publicadas pelo portal Intercept Brasil, indicam que o parlamentar teria solicitado recursos para financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro. Além disso, foi exposta uma visita do senador ao banqueiro enquanto este utilizava tornozeleira eletrônica, decorrente de prisões por fraudes financeiras. Flávio Bolsonaro negou qualquer irregularidade na relação.

Buscando reverter o desgaste, o senador viajou aos Estados Unidos no domingo (24), onde se reuniu com o presidente Donald Trump na terça-feira (26), na Casa Branca. Durante a agenda, que incluiu encontros com o vice-presidente J.D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio, Flávio solicitou que as facções Primeiro Comando Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) fossem classificadas como organizações terroristas. Na quinta-feira (28), Rubio confirmou a medida, definindo as facções como algumas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Embora Flávio e seus aliados tenham atribuído a decisão à sua articulação, a classificação já estava sob análise do governo norte-americano antes da visita.

Simultaneamente, o governo federal obteve êxito na Câmara dos Deputados com a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho e viabiliza o fim da escala 6x1. Na segunda-feira (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva negociou a medida com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), enquanto o relator Leo Prates (Republicanos-BA) apresentava parecer favorável. A proposta foi aprovada por Comissão Especial na quarta-feira (27), com 34 votos a favor e 4 contra, e posteriormente ratificada no plenário em dois turnos: 472 a 22 na primeira votação e 461 a 19 na segunda. No primeiro turno, 11 parlamentares do PL votaram contra; no segundo, a oposição do partido foi de 9 deputados.

Lula classificou a PEC, de autoria de parlamentares de esquerda, como uma "conquista civilizatória" e manifestou intenção de levar a votação ao Senado. Contudo, a celebração governamental foi interrompida pelo anúncio dos Estados Unidos sobre a classificação do PCC e do CV como terroristas. O presidente brasileiro vinha tentando evitar tal medida, sob o argumento de que ela poderia comprometer a soberania nacional e abrir espaço para interferências externas, tema que teria sido discutido em reunião de três horas com Donald Trump na Casa Branca, em 7 de maio.

Na sexta-feira (29), Lula criticou a decisão norte-americana, afirmando que brasileiros não aceitam ser tratados como "moleques", e acusou Flávio Bolsonaro de trair a pátria ao solicitar intervenção no Brasil. Em contrapartida, a decisão dos Estados Unidos foi celebrada por outros pré-candidatos à presidência, como Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD).

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