Estados Unidos classificam PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas e Lula condena a medida
A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA afirmou que a escolha do presidente brasileiro cabe aos cidadãos e que a classificação do PCC e CV como organizações terroristas segue a estratégia de segurança de Donald Trump. A medida permite o bloqueio de bens e restrição de vistos, decisão negada como influência de Flávio Bolsonaro. O presidente Lula condenou a ação, defendendo o combate interno ao crime organizado
A porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos no Brasil, Amanda Roberson, afirmou que a escolha do presidente brasileiro cabe exclusivamente aos cidadãos do país, afastando a possibilidade de intervenção americana nas eleições. A declaração ocorre após o governo de Donald Trump classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, medida divulgada na última quinta-feira (28).
Segundo Roberson, a designação dessas facções integra uma estratégia de segurança nacional implementada desde o início do mandato de Trump, focada nos interesses dos Estados Unidos e no combate ao narcoterrorismo na América Latina. A porta-voz detalhou que o PCC e o CV fazem parte de um grupo de 17 organizações que operam em diversos países do hemisfério ocidental, incluindo Equador, Paraguai e na região do Caribe. Com a nova classificação, os EUA passam a ter respaldo legal para bloquear bens, restringir vistos e proibir transações financeiras ou qualquer apoio de entidades e pessoas americanas a esses grupos.
Questionada sobre a influência do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se reuniu com Donald Trump na quarta-feira (27), a representante americana negou que pedidos do parlamentar tenham impactado a decisão. Roberson reiterou que a medida foi tomada exclusivamente pelo presidente Trump e sua equipe, citando a atuação do secretário Marco Rubio.
Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou a medida nesta sexta-feira (29), durante evento em Sergipe. Lula argumentou que o governo brasileiro já atua no combate ao crime organizado internamente, mencionando a aprovação de leis específicas contra facções. O presidente contrastou a definição de terrorismo utilizada por Trump, sugerindo que o foco americano deveria recair sobre figuras como Osama Bin Laden, enquanto o Brasil busca enfrentar os criminosos locais. Paralelamente às falas do presidente, o Palácio do Planalto publicou uma nota reforçando as ações governamentais no enfrentamento às organizações criminosas.