Estados Unidos oficializam a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas
Os Estados Unidos classificaram o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas nesta sexta-feira (5). A decisão determina o congelamento de ativos sob jurisdição norte-americana e proíbe transações financeiras com as facções. O governo brasileiro opôs-se à medida
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/X/r/BFBpHCQQS7oJoRyRearA/lula.jpeg)
O governo dos Estados Unidos oficializou, nesta sexta-feira (5), a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida, publicada no Federal Register e assinada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, já havia sido anunciada em 28 de maio.
Além da designação, a decisão autoriza o congelamento imediato de bens e ativos de pessoas ligadas a essas facções que estejam sob jurisdição norte-americana, sem aviso prévio, para evitar a transferência de recursos. O documento também proíbe transações financeiras entre empresas ou cidadãos dos EUA e as referidas organizações, estabelecendo sanções para qualquer entidade ou indivíduo que forneça apoio logístico, financeiro ou material aos grupos.
A medida representa um ponto de tensão na relação entre as administrações de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, sendo considerada a maior derrota do governo brasileiro desde a implementação de tarifas comerciais em 2025. A classificação foi precedida por um embate político interno no Brasil. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, defendeu publicamente a medida por mais de um ano, argumentando que a resistência do governo federal indicaria conivência com o crime organizado. O anúncio ocorreu um dia após Flávio visitar Washington, onde se reuniu com Trump, o vice-presidente J.D. Vance e Marco Rubio.
O governo brasileiro opôs-se à designação, sustentando que a medida feriria a soberania nacional ao abrir precedentes para intervenções militares dos EUA sob a justificativa de combate ao terrorismo. A gestão Lula também argumentou que a classificação divergiria da legislação brasileira, que distingue atividades de facções criminosas de atos de terrorismo. Em manifestação pública, o presidente Lula criticou a postura dos EUA, classificando a atitude como um tratamento inadequado ao Brasil e acusando Flávio Bolsonaro de trair a pátria ao solicitar a interferência estrangeira.
Em nota publicada em 29 de maio, o governo brasileiro afirmou que o PCC e o CV são tratados internamente como organizações criminosas que espalham o terror em comunidades, mas classificou como "deplorável" a atuação da família Bolsonaro em temas internacionais. Internamente, a administração petista reconhece que a decisão foi impulsionada pela ala bolsonarista para gerar constrangimento político. Há também a preocupação de que bancos e empresas brasileiras sofram sanções involuntárias devido a vínculos comerciais indiretos com as facções.
O processo de classificação envolveu discussões técnicas no Departamento de Estado e apoio da Embaixada dos EUA em Brasília. Entre o final de 2025 e o início de 2026, assessores norte-americanos, incluindo David Gamble e Ricardo Pitta, reuniram-se com promotores brasileiros e com a família Bolsonaro para coletar informações.
A diplomacia brasileira tentou reverter a medida em diversas ocasiões. Em setembro de 2025, durante a Assembleia Geral da ONU, Lula criticou a equiparação entre criminalidade e terrorismo, defendendo a cooperação contra a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas como caminhos mais eficazes. Em março deste ano, após revelações da imprensa sobre a iminência da medida, o ministro Mauro Vieira contatou Marco Rubio em uma tentativa de emergência para impedir a designação. Na ocasião, o Departamento de Estado reiterou que as facções representam ameaças significativas à segurança regional.
Embora o governo brasileiro tenha buscado aproximar-se de Donald Trump nos últimos meses, a administração petista avalia que setores do governo norte-americano possuem preferência política pela candidatura de Flávio Bolsonaro.