Política

Estudo aponta fragilidades estruturais e falta de viabilidade financeira em planos de saúde de candidatos

30 de Setembro de 2026 às 12:45 3 min de leitura

Levantamento do IEPS e da Umane identificou falhas técnicas e financeiras nos planos de saúde de seis candidatos com mais de 2% de intenção de voto. A análise de 95 propostas revelou que 95% exigem recursos extras e 56% repetem programas já existentes. O estudo apontou a ausência de soluções para saúde mental digital, apostas online e adaptação climática

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Estudo aponta fragilidades estruturais e falta de viabilidade financeira em planos de saúde de candidatos
Globo

Um levantamento realizado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) e pela Umane revelou fragilidades estruturais e falta de detalhamento técnico nos programas de saúde de seis candidatos com 2% ou mais de intenção de voto. A análise de 95 propostas indicou que a maioria dos planos ignora políticas já implementadas e carece de viabilidade financeira, com 95% dos projetos demandando recursos adicionais em um cenário de orçamento já insuficiente.

O estudo aponta que 56% das propostas são, na verdade, programas já existentes, embora sejam apresentadas como novidades. Um exemplo citado é a sugestão de utilizar o CPF como identificador no SUS, medida que já está regulamentada desde 2025. Além disso, 47% dos planos não detalham a execução das metas, limitando-se a intenções genéricas sem a indicação de fontes de financiamento, enquanto 83% dependem de coordenação entre estados e municípios.

Lacunas em temas contemporâneos

O boletim destaca a superficialidade ou a ausência de soluções para crises emergentes. No campo da saúde mental, nenhum candidato propôs a regulação do ambiente digital para proteger crianças e adolescentes, ignorando a fragilidade na fiscalização das plataformas, apesar da vigência do ECA Digital desde março deste ano.

Quanto aos impactos das apostas online, o estudo aponta que 25 milhões de brasileiros apostaram em 2025, com 1,4 milhão podendo apresentar transtorno do jogo, gerando um custo social anual de R$ 38,8 bilhões. Nos planos onde o tema aparece, é tratado apenas como questão de orçamento familiar. Já a adaptação climática é vista como pauta ambiental, sem conexão com a rede de saúde, mesmo com 29% das unidades do SUS localizadas a menos de 500 metros de áreas de alto risco geológico.

Análise por candidato

As propostas variam entre a continuidade de gestões e a tentativa de implementar modelos externos ou privados:

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT): Foca na continuidade de políticas vigentes, como o PADI Brasil, PNR-SUS e Agora Tem Especialistas. Embora não exija novas leis e possua baixa dependência de pactuação ampla (14%), todas as suas propostas demandam mais recursos.
  • Ronaldo Caiado (PSD): Apresenta o maior nível de detalhamento (76%) e propõe linhas de cuidado específicas para AVC, infarto e doenças raras com metas para 2030. Contudo, possui a maior dependência de pactuação entre estados (84%).
  • Romeu Zema (Novo): Defende a ampliação da participação privada via contratos de capacidade ociosa e a flexibilização da regulação da ANS para planos apenas ambulatoriais — mudança da qual a agência desistiu em 2025. Metade de suas propostas não detalha a execução.
  • Flávio Bolsonaro (PL): Propõe a correção da Tabela SUS, o uso de inteligência artificial no agendamento e prontuário via CPF. Todas as 11 propostas exigem mais verbas, mas não indicam a fonte dos recursos.
  • Renan Santos (Missão): Sugere a integração de dados genômicos e a importação do DoctorSV (plataforma de El Salvador sem avaliação independente). É o plano com maiores barreiras, com 71% de exigência de novas leis e 86% de pactuação ampla, além de propor a desvinculação do piso constitucional da saúde.
  • Augusto Cury (Avante): Propõe o Tele Saúde Brasil com atendimento em 30 minutos e a replicação do modelo do Hospital de Amor para o tratamento de câncer. O estudo concluiu que nenhuma de suas 10 propostas detalha a execução, sendo o único plano nessa condição, além de basear ações de saúde mental e câncer em teorias próprias sem validação científica.

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