Ex-ministros da chapa de Fernando Haddad criticam postura de Tarcísio de Freitas sobre tarifas americanas
Ex-ministros da chapa de Fernando Haddad criticaram a postura do governador Tarcísio de Freitas sobre as novas tarifas dos Estados Unidos ao Brasil. Márcio França, Marina Silva e Simone Tebet questionaram o alinhamento do gestor aos interesses de Donald Trump em detrimento da economia nacional
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Ex-ministros que integram a chapa de Fernando Haddad em São Paulo criticaram, nesta sexta-feira (24), a postura do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) diante do novo pacote de tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, confirmado pelo governo de Donald Trump no dia 15.
Durante a convenção estadual do PDT, Márcio França (PSB), Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) questionaram o alinhamento do gestor paulista aos interesses americanos em detrimento da economia nacional.
Impactos econômicos e críticas ao governo estadual
Márcio França, ex-ministro de Portos e Aeroportos e do Empreendedorismo, destacou que o estado de São Paulo foi severamente atingido, apontando que as retaliações de Trump focaram em produtos essenciais da região, como café e móveis. O pré-candidato a vice-governador questionou quem indenizará as perdas causadas por esse apoio.
A ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pré-candidata ao Senado, afirmou que o tarifaço prejudica diversos setores, incluindo a indústria de calçados, a produção de etanol e de biocombustíveis. Para a ambientalista, a posição de Tarcísio de minimizar o problema reflete a escolha de priorizar a agenda de Trump em vez dos interesses da agricultura e da indústria brasileira.
No mesmo sentido, Simone Tebet, também pré-candidata ao Senado e ex-ministra do Planejamento e Orçamento, cobrou que o governador retire o boné do movimento MAGA (Make America Great Again) e peça desculpas à população paulista por defender os Estados Unidos acima do Brasil.
Posicionamento de Tarcísio de Freitas
O governador Tarcísio de Freitas havia atribuído a responsabilidade do primeiro pacote de tarifas ao presidente Lula, alegando em redes sociais que a ideologia do governo federal foi colocada acima da economia. No dia 20 de janeiro de 2025, data da posse de Trump, o governador publicou um vídeo utilizando o boné de campanha do presidente americano.
Após repercussão negativa de suas falas, Tarcísio moderou o discurso. Na última semana, defendeu a necessidade de negociações e sugeriu que a questão seja analisada sob um prisma comercial e geopolítico, sem a busca por narrativas. O governador argumentou que países defendem seus próprios interesses em uma disputa comercial e que a análise deve ser feita setor por setor, citando o caso da Embraer como exemplo de funcionamento desse modelo.
Questionamentos sobre privatizações
Ainda durante a convenção do PDT, Márcio França direcionou críticas às privatizações conduzidas no estado de São Paulo. O ex-governador alegou que as concessões e vendas de ativos públicos ocorreram sem a valorização adequada do patrimônio.
França sustentou que a gestão estadual falha na venda de bens públicos, exemplificando que o lucro anual dos ativos concedidos quita o valor da venda em curto prazo: o Aeroporto de Congonhas teria se pago em dois anos e a Sabesp em três.
O governo de São Paulo não se manifestou sobre as declarações até o momento.