Flávio Bolsonaro defende a eliminação de restrições ambientais para proprietários rurais durante campanha no Pará
O senador Flávio Bolsonaro defendeu, em Marabá, a retirada de restrições ambientais para produtores rurais e a ampliação da regularização fundiária no Pará. Organizações como o ISA e o Greenpeace Brasil criticaram as declarações, associando-as ao incentivo ao *desmatamento
Durante ato de campanha realizado nesta segunda-feira (19) em Marabá, no Pará, o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, defendeu a eliminação de restrições ambientais para proprietários rurais. O parlamentar, que cumpre agenda nos estados do Pará e do Amazonas para ampliar sua base eleitoral, afirmou que pretende implementar a maior regularização fundiária da história do Pará, assegurando a propriedade privada no papel.
Segundo o candidato, os produtores deverão ter liberdade para plantar, criar gado e explorar suas terras sem a interferência do que classificou como "entraves ambientais", motivados, em sua visão, por razões ideológicas.
Reações de entidades ambientais
As declarações foram criticadas por organizações de preservação nesta terça-feira (20). O Instituto Socioambiental (ISA) classificou a fala como um retrocesso na abordagem sobre a Amazônia, interpretando-a como um incentivo ao desmatamento para a expansão da agropecuária.
Cristiane Mazzetti, coordenadora de Desmatamento Zero do Greenpeace Brasil, rebateu a tese de que a preservação seja uma questão ideológica ou oportunista. Para a coordenadora, as proteções ambientais não são obstáculos, mas garantias do direito a um meio ambiente equilibrado e a salvaguarda contra danos irreversíveis à biodiversidade e ao clima.
Contexto institucional
O debate sobre a flexibilização de normas ambientais remete ao período do governo de Jair Bolsonaro (2019-2023). Na época, o então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sugeriu a adoção de medidas para "passar a boiada" na regulamentação do setor, aproveitando que a atenção pública estava concentrada na pandemia de Covid-19.
Para Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, as recentes promessas de campanha de Flávio Bolsonaro sinalizam o risco de o Brasil retomar as diretrizes ambientais adotadas pela gestão anterior.