Política

Flávio Bolsonaro destinou quase 200 mil reais em emendas para projeto ligado a miliciano

22 de Setembro de 2026 às 07:14 3 min de leitura

O senador Flávio Bolsonaro destinou R$ 199.999,79 em emendas para um projeto esportivo após solicitações de Robson Calixto, condenado pelo assassinato de Marielle Franco. O TCU identificou indícios de desvio dos recursos repassados ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio. A Polícia Federal investiga trocas de favores entre a assessoria do parlamentar e o miliciano

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, destinou quase R$ 200 mil em emendas parlamentares para um projeto esportivo após solicitações de Robson Calixto, conhecido como Peixe. O beneficiário da indicação é um miliciano condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a nove anos de prisão por atuar como elo entre os mandantes e os executores do assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, ocorridos em 2018.

A articulação para a liberação dos recursos ocorreu em 2023, intermediada por Maria de Fátima Bezerra Castro, secretária parlamentar no gabinete do senador. De acordo com a Polícia Federal (PF), a assessora atuou como interlocutora direta de Peixe.

Destinação e indícios de desvio

O montante de R$ 199.999,79 foi repassado ao Ministério do Esporte e, posteriormente, via termo de fomento, ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (IFOP). O recurso deveria financiar o projeto "Jogadores do Futuro", voltado para crianças no bairro de Taquara, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.

Contudo, um relatório técnico do Tribunal de Contas da União (TCU), elaborado em 2025, identificou sinais de irregularidades e desvio do dinheiro público. O órgão de controle constatou que a empresa contratada pelo IFOP para coordenar as atividades esportivas, a Romulo Alves - Sociedade Individual de Advocacia, presta serviços jurídicos, sem relação com a área esportiva. Além disso, o TCU verificou que o proprietário da empresa contratada é o próprio presidente do instituto beneficiário.

Negociações e trocas de favores

A PF obteve mensagens de WhatsApp no celular de Peixe, apreendido em 2024, que detalham a negociação. Em outubro de 2023, o miliciano solicitou ajuda financeira à assessora, que, em contrapartida, convidou o deputado Chiquinho Brazão — também condenado pelo crime contra Marielle — para uma cerimônia de entrega de coletes balísticos à Polícia Militar. A PF avalia que o evento serviu para que o pedido de verbas fosse reforçado pessoalmente com o senador.

As investigações apontam ainda que, em janeiro de 2024, Maria de Fátima solicitou a Peixe quatro ingressos para o camarote Arpoador, no desfile das campeãs. O miliciano buscou os ingressos com terceiros para atender ao que a PF classifica como "solicitação de vantagem indevida". Em março de 2024, há registros de Peixe cobrando novas destinações parlamentares do senador.

Posicionamento oficial

Por meio de sua assessoria, Flávio Bolsonaro declarou que a emenda foi destinada seguindo a legislação vigente e os critérios técnicos do Ministério do Esporte. O senador argumentou que a entidade executora apresentou notas fiscais e devolveu valores não utilizados, ressaltando que a responsabilidade pela execução dos recursos cabe à instituição beneficiária, e não ao parlamentar.

O caso integra uma apuração sigilosa no STF sobre possíveis desvios de emendas de diversos deputados federais e do senador para entidades ligadas aos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão.

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