Flávio Bolsonaro e Lula debatem economia e política em último encontro antes do segundo turno
A TV Globo realizou nesta sexta-feira (23) o último debate entre Flávio Bolsonaro e Lula, em cenário de empate técnico. Os candidatos divergiram sobre custo de vida, reforma tributária e política externa, registrando trocas de acusações e tensões pessoais
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O último debate presidencial antes do segundo turno, realizado nesta sexta-feira (23) pela TV Globo, foi marcado por tentativas de moderação e embates diretos entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O encontro ocorreu em um cenário de empate técnico, com a pesquisa Datafolha de quinta-feira (22) atribuindo 50% dos votos válidos a cada candidato para a votação de domingo (25).
Posturas e estratégias comportamentais
A imprensa internacional observou mudanças significativas na postura dos candidatos em comparação ao primeiro encontro. Flávio Bolsonaro adotou um tom mais contido e profissional, utilizando gravata e evitando a gesticulação excessiva e a movimentação atrás do oponente. A estratégia do senador buscou transmitir a imagem de um candidato moderado e preparado para a Presidência, visando atrair eleitores de centro e indecisos.
Em contrapartida, Lula iniciou a discussão de forma cautelosa, mas evoluiu para um discurso mais incisivo e agressivo. O presidente focou em colocar o adversário na defensiva, associando-o a controvérsias ligadas a Jair Bolsonaro e alertando sobre possíveis riscos à democracia.
Embates econômicos e propostas
A discussão sobre a economia concentrou-se no custo de vida, endividamento das famílias e políticas fiscais. Os principais pontos de divergência foram:
- Lula: Defendeu a política de aumento do salário mínimo acima da inflação e afirmou que sua gestão retirou milhões de pessoas da fome. Questionou as propostas de ajuste fiscal de Flávio, comparando-as ao modelo do presidente argentino Javier Milei.
- Flávio Bolsonaro: Criticou a inflação dos alimentos e a reforma tributária, argumentando que as novas regras elevariam a carga tributária para o consumidor. Prometeu ampliar investimentos em diversas áreas e manter programas sociais, além de elevar aposentadorias e o salário mínimo acima da inflação.
Tensões e ataques pessoais
Apesar da tentativa de moderação, o debate registrou momentos de forte tensão. O episódio mais repercutido foi a provocação de Flávio sobre os "nove dedos" de Lula, o que levou o presidente a exigir e receber um pedido de desculpas. Outros pontos de conflito incluíram:
- Acusações mútuas: Lula chamou o senador de "miliciano" e "fantasticamente mentiroso", enquanto Flávio questionou se o Brasil era governado pelo presidente ou pelo Google, afirmando que Lula não cumpre suas promessas.
- Confrontos institucionais: Houve trocas de acusações sobre corrupção, com menções ao Banco Master e a familiares de ambos os candidatos.
- Segurança Pública: Um momento crítico ocorreu quando Flávio foi confrontado no estúdio pela mãe de uma criança de 5 anos, morta em um tiroteio envolvendo um policial que o senador defendeu juridicamente.
Impactos institucionais e política externa
As divergências se estenderam às relações internacionais, especialmente com os Estados Unidos e a China. Lula acusou Flávio de "bajular" Donald Trump, citando as tarifas americanas sobre produtos brasileiros. O senador, por sua vez, defendeu o modelo econômico argentino e criticou a gestão petista.
O resultado do pleito é visto como determinante para a definição da política externa brasileira, dada a polarização entre as visões de mundo e as alianças internacionais defendidas por cada candidato.