Política

Flávio Bolsonaro tenta reverter a neutralidade de partidos na disputa presidencial

23 de Julho de 2026 às 15:09

A equipe de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenta reverter a neutralidade da federação PP e União Brasil e do Republicanos na disputa presidencial. O grupo articula a proximidade entre Ciro Nogueira e Jair Bolsonaro, enquanto o PP prioriza o fundo eleitoral e a relação com o governo federal. A deputada Simone Marquetto atua como interlocutora e é cogitada para a vice-presidência

A equipe de campanha do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) busca reverter a decisão da federação composta por PP e União Brasil de manter a neutralidade na disputa presidencial. O grupo tenta articular alianças para evitar a independência das siglas, mirando também o Republicanos, que segue a mesma tendência de não definir apoio.

Estratégias de articulação e possíveis alianças

Para convencer o PP, a estratégia do núcleo de Flávio Bolsonaro foca na relação de proximidade entre o senador Ciro Nogueira e o ex-presidente Jair Bolsonaro. O objetivo dos emissários é sensibilizar Nogueira sobre a tese de que a eleição de Flávio seria o caminho para reverter a situação jurídica do ex-presidente.

Nesse processo, a deputada federal Simone Marquetto (PP-SP) atua como ponte. Alinhada ao bolsonarismo e defensora de uma coalizão com o PL, Marquetto é considerada nos bastidores como uma opção para a vice-presidência na chapa de Flávio.

Obstáculos e divergências internas

Apesar das tentativas, a resistência de Ciro Nogueira baseia-se em três pontos principais:

  • Falta de apoio institucional: O presidente do PP demonstra insatisfação com o silêncio de Flávio Bolsonaro após a Operação Compliance Zero — investigação da Polícia Federal sobre fraudes financeiras, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. Nogueira, que foi alvo de busca e apreensão, compara a ausência de defesa de Flávio com a postura de Luiz Inácio Lula da Silva, que defendeu publicamente o senador Jaques Wagner em caso semelhante.
  • Cálculo eleitoral proporcional: O partido avalia que conflitos internos na família Bolsonaro podem prejudicar aliados. Por isso, o PP prefere destinar seu fundo eleitoral para fortalecer candidaturas proporcionais e ampliar sua bancada, especialmente em estados onde o PT possui maior dominância.
  • Relação com o Governo Federal: A neutralidade é vista como um gesto político em direção ao presidente Lula. Como a federação PP-União detém o maior tempo de rádio e TV, a decisão de não apoiar nenhum candidato amplia proporcionalmente o tempo de propaganda do PT.

Interesses regionais e governança

A manutenção da independência visa garantir a sobrevivência política do PP no Piauí, onde o governador Rafael Fonteles busca a reeleição. Ciro Nogueira espera que essa neutralidade resulte em reciprocidade na disputa ao Senado no estado.

Além disso, há o interesse em preservar a influência no governo federal. O partido, que controlava o Ministério do Esporte através de André Fufuca, deseja manter a viabilidade de ocupar pastas ministeriais em um eventual novo mandato de Lula.

No âmbito da federação, embora o União Brasil precise concordar com as diretrizes, a ata de criação do bloco concede poder de veto aos presidentes de ambos os partidos. Até o momento, Antônio Rueda, do União Brasil, não manifestou discordância quanto à posição de Nogueira.

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