Governo Lula descarta critérios ideológicos para avaliar indicação de Daniel Perez como embaixador dos Estados Unidos
O governo brasileiro analisará o currículo de Daniel Perez, indicado pelos Estados Unidos para embaixador no Brasil, sem utilizar critérios ideológicos. A nomeação ocorreu sem consulta prévia ao Itamaraty, que aguarda a formalização do pedido de agrément. Perez é parlamentar republicano da Flórida e aguarda aprovação do Senado norte-americano
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva descarta a utilização de critérios ideológicos para avaliar a indicação de Daniel Perez como embaixador dos Estados Unidos no Brasil. Apesar de Perez ser um defensor do movimento "Make America Great Again" (MAGA) e de pautas alinhadas ao secretário de Estado, Marco Rubio, a gestão brasileira afirma que divergências políticas não pautam a condução do diálogo entre chefes de Estado nem a aceitação de representantes diplomáticos.
A indicação, realizada pelo Departamento de Estado norte-americano, ocorreu sem consulta formal prévia ao governo brasileiro, o que gerou desconforto no Itamaraty e pode provocar novos atritos entre as duas nações. Pela praxe diplomática, os governos realizam a consulta confidencial do "agrément" antes do anúncio oficial do nome. Assim que esse pedido for formalizado, o Brasil iniciará a análise do currículo de Perez, verificando, inclusive, se houve qualquer atuação do indicado contra os interesses brasileiros.
A diplomacia brasileira considera a presença de um embaixador no país fundamental por questões simbólicas e institucionais, dado que o cargo permite uma interlocução mais ampla com o governo do que a função de encarregado de negócios. Atualmente, a missão americana em Brasília é liderada por Gabriel Escobar, que será substituído por Natasha Franceschi em julho. Os Estados Unidos estão sem um embaixador no Brasil desde janeiro de 2025, após a saída de Elizabeth Bagley.
Fontes diplomáticas diferenciaram a situação de Perez ao caso de Gali Dagan, indicado por Israel em agosto do ano passado, cujo "agrément" não foi concedido. Naquela ocasião, o Itamaraty não respondeu ao pedido em retaliação ao tratamento dispensado ao embaixador brasileiro em Tel Aviv, Frederico Meyer, que foi questionado sobre declarações do presidente Lula a respeito da guerra em Gaza. Além disso, a negativa a Dagan baseou-se em fundamentos técnicos, pois o indicado era originário de um território palestino ocupado por Israel, o que, na visão do governo brasileiro e da ONU, validaria uma ocupação ilegal.
Daniel Perez é parlamentar da Flórida, membro do Partido Republicano e presidente da Câmara daquele estado desde 2024. Filho de imigrantes cubanos, nasceu em Nova York e reside na Flórida desde 1993. O indicado, que chegou a ser cogitado para o cargo de procurador-geral da Flórida no ano passado, enfrenta atualmente embates políticos com o governador Ron DeSantis. O nome de Perez já foi encaminhado ao Senado dos Estados Unidos para aprovação.