Política

Grupos ultraconservadores defendem a substituição do voto feminino pelo voto familiar no Brasil

13 de Outubro de 2026 às 07:22 2 min de leitura

Grupos ultraconservadores dos Estados Unidos influenciam movimentos antifeministas no Brasil que defendem a substituição do voto feminino pelo voto familiar. O cenário ocorre enquanto a Câmara dos Deputados registra a maior bancada feminina da história, com 109 eleitas

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Movimentos de caráter antifeminista, originados em grupos ultraconservadores dos Estados Unidos, começaram a ganhar espaço no Brasil. A vertente mais extrema dessa tendência defende a proibição do voto feminino, propondo a substituição pelo chamado voto familiar, modelo no qual a decisão eleitoral e a ida às urnas ficariam restritas ao homem da casa.

Enquanto nos EUA o sufrágio universal já ultrapassou um século, no Brasil o direito ao voto para mulheres foi estabelecido em 1932. O cenário atual brasileiro apresenta um contraste entre a ascensão desses discursos e a realidade institucional, visto que a Câmara dos Deputados terá a maior bancada feminina de sua história, com 109 mulheres eleitas.

Dinâmicas políticas e polêmicas

A influência dessas pautas reflete-se em figuras públicas e alinhamentos ideológicos. A deputada Eduarda Campopiano, a mais votada em São Paulo, é descrita como a maior inimiga das feministas e acumula polêmicas em sua trajetória. No Rio Grande do Sul, a deputada mais votada do estado, embora pertença ao mesmo partido (PL), classificou como "bobagem" as declarações de Campopiano a respeito do feminicídio.

No cenário internacional, influenciadoras conservadoras têm alinhado a produção de propaganda antifeminista às propostas do governo de Donald Trump. Paralelamente, grupos de mulheres de direita nos Estados Unidos ameaçam recorrer à Justiça contra ataques promovidos por bolsonaristas em redes sociais.

Análise acadêmica do fenômeno

A origem e as motivações desse movimento, que questiona a participação política feminina, foram analisadas por Tatiana Vargas Maia, professora de Relações Internacionais da UFRS. Já a manifestação desse fenômeno especificamente nas urnas brasileiras foi objeto de estudo de Marina Basso Lacerda, doutora em ciência política e pesquisadora da USP e da UnB.

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