Grupos ultraconservadores defendem a substituição do voto feminino pelo voto familiar no Brasil
Grupos ultraconservadores dos Estados Unidos influenciam movimentos antifeministas no Brasil que defendem a substituição do voto feminino pelo voto familiar. O cenário ocorre enquanto a Câmara dos Deputados registra a maior bancada feminina da história, com 109 eleitas
Movimentos de caráter antifeminista, originados em grupos ultraconservadores dos Estados Unidos, começaram a ganhar espaço no Brasil. A vertente mais extrema dessa tendência defende a proibição do voto feminino, propondo a substituição pelo chamado voto familiar, modelo no qual a decisão eleitoral e a ida às urnas ficariam restritas ao homem da casa.
Enquanto nos EUA o sufrágio universal já ultrapassou um século, no Brasil o direito ao voto para mulheres foi estabelecido em 1932. O cenário atual brasileiro apresenta um contraste entre a ascensão desses discursos e a realidade institucional, visto que a Câmara dos Deputados terá a maior bancada feminina de sua história, com 109 mulheres eleitas.
Dinâmicas políticas e polêmicas
A influência dessas pautas reflete-se em figuras públicas e alinhamentos ideológicos. A deputada Eduarda Campopiano, a mais votada em São Paulo, é descrita como a maior inimiga das feministas e acumula polêmicas em sua trajetória. No Rio Grande do Sul, a deputada mais votada do estado, embora pertença ao mesmo partido (PL), classificou como "bobagem" as declarações de Campopiano a respeito do feminicídio.
No cenário internacional, influenciadoras conservadoras têm alinhado a produção de propaganda antifeminista às propostas do governo de Donald Trump. Paralelamente, grupos de mulheres de direita nos Estados Unidos ameaçam recorrer à Justiça contra ataques promovidos por bolsonaristas em redes sociais.
Análise acadêmica do fenômeno
A origem e as motivações desse movimento, que questiona a participação política feminina, foram analisadas por Tatiana Vargas Maia, professora de Relações Internacionais da UFRS. Já a manifestação desse fenômeno especificamente nas urnas brasileiras foi objeto de estudo de Marina Basso Lacerda, doutora em ciência política e pesquisadora da USP e da UnB.