Hugo Motta articula apoio de partidos do Centrão e da esquerda para a presidência da Câmara
Hugo Motta (Republicanos-PB) articula sua reeleição na presidência da Câmara, buscando apoio do PSD, de partidos de esquerda e do Centrão. A estratégia visa conter a hegemonia do PL, que detém a maior bancada, mas não possui a maioria absoluta de 251 votos
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A sucessão na presidência da Câmara dos Deputados, prevista para fevereiro do próximo ano, tornou-se o centro de articulações em Brasília. Embora a bancada da direita tenha crescido, aliados de Hugo Motta (Republicanos-PB) sustentam que a disputa permanece aberta, apostando em um movimento de autoproteção do Centrão para evitar que o bolsonarismo amplie sua hegemonia no Legislativo.
O argumento central desse grupo é que a autonomia do Congresso frente ao Poder Executivo, consolidada nos últimos anos, foi o que viabilizou a expansão das emendas parlamentares. Além disso, há a percepção de que o PL tem avançado sobre espaços de partidos do Centrão, o que desestimularia essas siglas a fortalecerem a maior bancada da Casa.
Articulações e apoios
Para garantir a permanência no cargo, Hugo Motta iniciou movimentações antecipadas após sinalizações do PL sobre o interesse em comandar a Câmara e o Senado. O presidente da Casa utiliza como moedas de troca a distribuição de cargos em comissões, relatorias de propostas, a composição da Mesa Diretora e a próxima vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), além da gestão das emendas.
Nesse cenário, Motta já assegurou o apoio público de Antonio Brito (BA), líder do PSD, partido que detém mais de 40 deputados. O presidente da Câmara indicou que a antecipação do apoio do PSD resultará em vantagens nos acordos futuros. A base de apoio também inclui interlocuções com Isnaldo Bulhões (AL), do MDB, e Dr. Luizinho (RJ), do PP.
A estratégia de Motta prevê a soma de votos do Podemos e de partidos de esquerda — incluindo PT, PSB, PSOL, PCdoB, PDT, PV e Rede —, que totalizam 124 parlamentares.
O peso do PL e a dinâmica do Congresso
Apesar de deter a maior bancada desde a Constituição de 1988, com 121 cadeiras, o PL enfrenta a limitação matemática de não conseguir eleger o presidente da Casa sozinho, já que a vitória exige maioria absoluta (251 votos, considerando a votação de 500 deputados). Aliados de Motta relembram que, em 2022, a esquerda também não possuía votos suficientes para garantir o comando da Casa, mesmo com a vitória de Lula na Presidência.
Outro fator determinante é a preferência da direita pelo comando do Senado. O senador Rogério Marinho (PL-RN) manifestou publicamente a ambição pelo cargo. Historicamente, o Legislativo evita que um único partido controle as duas Casas simultaneamente para manter o equilíbrio de poder, embora exceções tenham ocorrido em 2015 (MDB) e 2019 (DEM). Essa dinâmica torna a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) no Senado mais complexa.
Estratégia política e cenário eleitoral
A condução de Hugo Motta busca replicar a fórmula utilizada por Arthur Lira (PP-AL) em 2023, aguardando o desfecho do segundo turno da eleição presidencial para negociar com as forças políticas vencedoras. Caso Flávio Bolsonaro vença a disputa ao Planalto, Motta pretende argumentar que a presidência da Câmara demanda capacidade de articulação com o governo, independentemente da ideologia.
Essa postura exige cautela para não alienar a esquerda, com quem Motta tem se aproximado. Recentemente, o presidente da Câmara reuniu-se com o presidente Lula, que afirmou que Motta o ajudaria nas eleições. Durante o primeiro turno, Motta pediu votos para Lula, movimento interpretado como uma tentativa de eleger seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos), ao Senado pela Paraíba — candidatura que não obteve sucesso.
Enquanto o Republicanos declarou apoio a Flávio Bolsonaro, a manutenção de pontes com o governo Lula é vista por aliados de Motta como essencial para assegurar os votos da esquerda, independentemente de quem assuma a Presidência da República.