Política

Imprensa da China acompanha eleições brasileiras com foco na importância estratégica do país como parceiro

02 de Outubro de 2026 às 13:07 3 min de leitura

A imprensa da China acompanha as eleições presidenciais brasileiras, destacando a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. A cobertura enfatiza a importância comercial do Brasil e a preferência de Pequim por Lula, embora Flávio Bolsonaro garanta a manutenção das relações econômicas. O conteúdo contrasta investimentos chineses concretos com a atuação dos Estados Unidos no país

-0:00
Imprensa da China acompanha eleições brasileiras com foco na importância estratégica do país como parceiro
Getty Images via BBC

A imprensa da China tem dedicado cobertura intensiva às eleições presidenciais no Brasil, evidenciando a importância estratégica do país como parceiro comercial, aliado nos Brics e ator regional relevante em um continente sob forte influência dos Estados Unidos. Como a mídia chinesa é amplamente controlada pelo Estado, as publicações refletem as diretrizes e os interesses do governo de Pequim.

Perspectivas sobre os candidatos

A análise de veículos como o Global Times e a revista China Newsweek apresenta a disputa como polarizada e aberta, com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) como os principais nomes.

Para a mídia chinesa, Lula possui vantagens ligadas à sua experiência governamental, base popular sólida e imagem internacional positiva, além de contar com a composição moderada de sua chapa para atrair o setor empresarial. Por outro lado, são destacados como pontos negativos sua idade avançada e problemas de saúde, citando especificamente um diagnóstico de câncer de pele em maio, tratado com radioterapia preventiva.

Já Flávio Bolsonaro é visto como o herdeiro do apoio de grupos evangélicos, setores agrícolas e eleitores focados em segurança pública. No entanto, a imprensa chinesa menciona o "fardo" de condenações judiciais envolvendo seu pai e seu irmão, Eduardo Bolsonaro, este último por tentar influenciar o sistema judiciário brasileiro via governos estrangeiros.

Relações bilaterais e pragmatismo econômico

Existe uma percepção de que Pequim possui preferência por Lula, devido à relação já consolidada com o presidente Xi Jinping. Contudo, a cobertura mantém cautela para não antagonizar Flávio Bolsonaro, visando preservar a estabilidade diplomática independentemente do resultado.

O portal NetEase ressalta que a direita brasileira tornou-se mais pragmática. O texto menciona que, em 2018, Jair Bolsonaro adotou slogans ideológicos e posturas críticas à China, mas mudou de comportamento em 2019, liderando delegações ao país asiático após pressões do setor agropecuário e de governadores.

Nesse sentido, a mídia chinesa reporta que Flávio Bolsonaro teria tranquilizado empresários da Confederação Nacional da Agricultura do Brasil, afirmando que as relações econômicas com a China não sofreriam alterações em um eventual governo.

Comparativo entre China e Estados Unidos

A narrativa chinesa contrasta a natureza dos investimentos de Pequim com a atuação de Washington. Enquanto a China é apresentada como executora de projetos concretos — como a instalação de montadoras da BYD e GWM, e linhas de transmissão da State Grid Corporation of China —, os EUA são descritos como provedores de "conceitos vagos" de aliança.

Um exemplo citado é o fechamento da fábrica da Ford em Camaçari, na Bahia, onde a ausência de resposta de Washington teria sido suprida pela chegada da BYD. Para a imprensa chinesa, a dependência brasileira de exportações de produtos primários torna o mercado chinês vital, classificando como "decisão suicida" qualquer tentativa de afastar-se de Pequim para abraçar um concorrente econômico como os EUA.

Controle da informação na China

A análise do cenário eleitoral brasileiro ocorre em um contexto de rigoroso controle midiático. A China ocupa a antepenúltima posição no ranking de liberdade de imprensa da organização Repórteres Sem Fronteiras, ficando atrás apenas de Eritreia e Coreia do Norte.

O sistema de comunicação do país opera sob diretrizes diárias do Departamento de Propaganda do Partido Comunista Chinês, que define tópicos censurados e orientações editoriais para todos os veículos de grande circulação.

Notícias Relacionadas