Política

Inteligência artificial deve ter papel central nas estratégias para as eleições de 2026 no Brasil

17 de Agosto de 2026 às 15:26

A inteligência artificial terá papel central nas eleições de 2026, auxiliando na análise de dados e redução de custos de campanha. O TSE proibiu o uso de deepfakes e tornou obrigatória a sinalização de conteúdos sintéticos para combater a desinformação

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Inteligência artificial deve ter papel central nas estratégias para as eleições de 2026 no Brasil
Reprodução/TV Globo/Jornal Hoje

A inteligência artificial deve assumir papel central nas estratégias de partidos e candidatos para as eleições de 2026. A tecnologia permite a análise massiva de dados, a agilização na produção de materiais de campanha e a ampliação do alcance de mensagens nas redes sociais, alterando a dinâmica da atividade política no Brasil.

Impacto na análise de dados e produção

A capacidade de processar grandes volumes de informações transforma a maneira como as demandas do eleitorado são identificadas. Interações digitais, como reclamações sobre serviços públicos e discussões em redes sociais, servem de base para que a IA reúna e analise milhares de conteúdos rapidamente. De acordo com Diogo Cortiz, professor da PUC-SP, esse processo permite que as propostas dos candidatos sejam mais precisas e alinhadas às expectativas da população.

Além da inteligência estratégica, há um impacto financeiro. Flávio Ferrari, professor da ESPM, destaca que a utilização de plataformas gratuitas reduz os custos de produção, permitindo a criação de peças publicitárias em poucos segundos.

Riscos de desinformação e deepfakes

Apesar dos benefícios, a tecnologia amplia a capacidade de disseminação de notícias falsas por meio de deepfakes — materiais sintéticos que manipulam áudio, vídeo e imagem para simular situações inexistentes. Anderson Rocha, coordenador do Laboratório de Inteligência Artificial da Unicamp, alerta que as falsificações estão cada vez mais realistas, exigindo sistemas especializados para a detecção.

Como exemplo dessa sofisticação, o laboratório da Unicamp analisou mais de cem casos de manipulação, incluindo um vídeo inteiramente artificial do ex-presidente dos EUA, John F. Kennedy, criado a partir de conteúdos antigos para simular falas e ações que nunca ocorreram, conforme detalhado pelo pesquisador Mateus Vicente.

Percepção do eleitor e regulação do TSE

A dificuldade do cidadão em distinguir a realidade de conteúdos artificiais é evidente: 71,6% dos brasileiros acreditam que a inteligência artificial pode ser usada para manipular o voto, mas apenas 45,3% afirmam ser capazes de identificar tais produções.

Para mitigar esses riscos e proteger a democracia, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) implementou normas rígidas para a propaganda eleitoral:

  • Identificação obrigatória: Todo conteúdo sintético deve ser explicitamente sinalizado ao público.
  • Proibição de deepfakes: É vedado o uso de IA para criar, substituir ou alterar voz e imagem de pessoas (vivas, falecidas ou fictícias) com a intenção de beneficiar ou prejudicar candidaturas.

Fiscalização e punições

Embora a tecnologia seja avançada, Flávio Ferrari ressalta que conteúdos digitais possuem rastros que permitem a identificação de sua origem, embora a cooperação das plataformas digitais possa ser necessária. O especialista enfatiza que a utilização irregular da ferramenta deve ser punida com rigor legal.

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), José Antonio Encinas Manfré, reforça que o objetivo institucional é assegurar que a inovação tecnológica seja aplicada em favor do processo democrático.

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