Itamaraty classifica como inaceitável a tentativa de ingerência de Javier Milei no processo democrático brasileiro
O Ministério das Relações Exteriores classificou como inaceitável a fala de Javier Milei sobre a possível manipulação eleitoral no Brasil. O Itamaraty defendeu a segurança do voto eletrônico e manteve a convocação do embaixador brasileiro na Argentina para consultas
O Ministério das Relações Exteriores classificou como inaceitável a tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro após declarações do presidente da Argentina, Javier Milei. Em nota publicada nesta terça-feira (20), o Itamaraty reagiu a uma postagem em rede social na qual o líder argentino sugeriu que a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva poderia envolver a manipulação do resultado eleitoral.
A fala de Milei ocorreu após o candidato à reeleição conceder entrevista ao SBT, ocasião em que discutiu os impactos da escala 6x1 na vida das mulheres. O presidente argentino referiu-se ao episódio como uma "artimanha suja" e afirmou esperar que a estratégia do petista não incluísse o roubo da eleição.
Segurança do sistema eleitoral e postura diplomática
O governo brasileiro rebateu as críticas enfatizando que o voto eletrônico é comprovadamente seguro e não apresenta registros de irregularidades. O Itamaraty destacou que a lisura do sistema foi ratificada por observadores internacionais logo após o primeiro turno. Para a pasta, a conduta de Milei é antidemocrática e diverge do comportamento esperado de um governante de um país vizinho.
As declarações surgem em um momento crítico, a poucos dias do segundo turno das eleições, e aprofundam o desgaste entre as duas nações. Milei, posicionado à direita, é apoiador de Flávio Bolsonaro, candidato do PL.
Crise bilateral e isolamento institucional
O atual estado de tensão diplomática é resultado de ataques verbais recorrentes de Javier Milei contra o presidente Lula, o que levou o governo brasileiro a determinar o rebaixamento das relações bilaterais. Como medida concreta de descontentamento, o embaixador brasileiro na Argentina foi convocado para consultas em Brasília, decisão que permanece vigente enquanto persistirem as ofensas.
No plano institucional argentino, o chanceler Pablo Quirno expressou a expectativa de que a transformação ideológica observada na região atinja também o Brasil. Até o momento, não foram registradas iniciativas de reaproximação ou avanços nas negociações entre os dois governos.