Política

Itamaraty publica nota de repúdio contra Javier Milei por ofensas a Lula e questionamentos eleitorais

24 de Outubro de 2026 às 06:00 2 min de leitura

O Palácio Itamaraty publicou nota de repúdio contra o presidente da Argentina, Javier Milei, por ofensas a Luiz Inácio Lula da Silva e insinuações de fraude eleitoral no Brasil. O governo brasileiro classificou as declarações como antidemocráticas e defendeu a segurança do *voto eletrônico

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Itamaraty publica nota de repúdio contra Javier Milei por ofensas a Lula e questionamentos eleitorais
© MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

O Palácio Itamaraty publicou, nesta terça-feira (20), uma nota de repúdio contra o presidente da Argentina, Javier Milei, após novas ofensas direcionadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e insinuações de fraude no processo eleitoral brasileiro.

O líder argentino utilizou a rede social X para atacar o candidato à reeleição, compartilhando um trecho de entrevista de Lula ao SBT e afirmando que espera que as estratégias de campanha não incluam o roubo da eleição. Em outra publicação, referente ao debate ocorrido no domingo (18) entre Lula e Flávio Bolsonaro, Milei classificou o presidente brasileiro como um "autoritário adorado pelos progressistas locais".

Posicionamento diplomático e segurança eleitoral

O governo brasileiro classificou a manifestação de Milei como antidemocrática, desequilibrada e incompatível com a conduta esperada de um chefe de Estado de um país amigo. O Itamaraty afirmou que o presidente argentino reitera mentiras propagadas por grupos que protagonizaram uma tentativa de golpe há quatro anos.

A nota enfatizou que o sistema de voto eletrônico do Brasil é comprovadamente seguro e isento de irregularidades, fato ratificado por observadores internacionais durante o primeiro turno. O Itamaraty destacou que a definição do futuro do país, cujo segundo turno ocorre no próximo domingo (25), pertence exclusivamente ao povo brasileiro, sem espaço para ingerência externa.

Crise nas relações bilaterais

O histórico de agressões verbais de Javier Milei, aliado da família Bolsonaro, provocou o rebaixamento das relações diplomáticas entre Brasília e Buenos Aires. Desde agosto, o Brasil não possui embaixador na Argentina e solicitou a saída do embaixador argentino da capital federal. Atualmente, a representação brasileira no país vizinho é exercida por um Encarregado de Negócios.

A deterioração do vínculo diplomático intensificou-se em 26 de julho, quando o embaixador Bitelli foi convocado a retornar ao Brasil. A medida ocorreu após Milei, em convenção do Partido Liberal (PL), chamar Lula de "presidiário" e atacar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Moraes é o relator do processo que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Apesar do conflito político, Brasil e Argentina mantêm economias integradas, especialmente nos setores industrial e automotivo, sendo o Brasil o principal parceiro comercial da Argentina. Ambos são os maiores sócios do Mercosul e possuem uma relação diplomática de dois séculos.

Com informações de Agência Brasil

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