Política

Javier Milei critica Alexandre de Moraes durante evento de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro

27 de Julho de 2026 às 09:30

O senador Flávio Bolsonaro oficializou sua candidatura à Presidência da República em evento em São Paulo com a presença do presidente argentino Javier Milei. Durante a cerimônia, Milei criticou o ministro Alexandre de Moraes após a proibição de visitar Jair Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL) oficializou, no último sábado (25/7), sua candidatura à Presidência da República em evento realizado em São Paulo. A cerimônia foi marcada pela presença do presidente da Argentina, Javier Milei, que participou da convenção do partido e proferiu um discurso de quase trinta minutos contra o "socialismo".

Durante a fala, o mandatário argentino criticou publicamente o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, referindo-se a ele como "lixo careca". A declaração foi motivada pela negativa do magistrado em autorizar a visita de Milei a Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. O ministro fundamentou a decisão na proibição de que o ex-presidente receba visitas com fins político-eleitorais até o término do pleito, medida adotada após a divulgação de uma carta de apoio de Jair Bolsonaro à candidatura do filho.

Agenda institucional e alianças políticas

A visita de Milei ao Brasil incluiu a recepção da Ordem do Ipiranga, a maior honraria do Estado de São Paulo, concedida pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no Palácio dos Bandeirantes.

A estratégia de trazer o presidente argentino e o governador paulista para o palanque busca conferir robustez ideológica à campanha de Flávio Bolsonaro, que atualmente não possui alianças partidárias consolidadas ou chapa definida. Apesar do isolamento político, o senador mantém competitividade nas pesquisas: ocupa a segunda posição para o primeiro turno e, em um eventual segundo turno, detém 42% das intenções de voto, contra 46% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Contexto regional e diplomacia

A vinda de Milei integra um projeto de consolidação como liderança da direita ocidental na América Latina. O presidente argentino seguirá para o Peru, para a posse de Keiko Fujimori, e para o Equador, onde deve se reunir com o presidente Daniel Noboa. A agenda inclui ainda a Colômbia, para a posse de Abelardo de la Espriella.

Esse movimento reflete o avanço da direita radical no continente, alinhando-se ideologicamente a Donald Trump. No entanto, a relação com os Estados Unidos apresenta complexidades, como as recentes tarifas impostas por Trump ao Brasil, as quais Flávio Bolsonaro afirmou ter tentado, sem sucesso, evitar.

No plano diplomático, o governo brasileiro, por meio de Mauro Vieira, classificou as falas de Milei como "inaceitáveis" e interpretou as declarações como uma interferência em assuntos internos do Brasil.

Cenário interno na Argentina

A tentativa de projeção internacional de Milei ocorre simultaneamente a desafios domésticos. Pesquisas da AtlasIntel indicam que 58% dos argentinos desaprovam seu governo, impactados por dificuldades econômicas e escândalos de corrupção. Entre os casos citados estão:

  • A renúncia de Manuel Adorni, ex-chefe de Gabinete, após acusações de enriquecimento ilícito;
  • Investigações da Justiça dos EUA sobre a promoção de uma criptomoeda;
  • Áudios vazados envolvendo Karina Milei, secretária-geral da Presidência, sobre supostas propinas na Agência Nacional para a Deficiência (Andis);
  • A desistência da candidatura de José Luis Espert devido a vínculos com um empresário acusado de narcotráfico.

Embora o governo argentino celebre a redução da inflação para 33% em junho e a queda da pobreza para 28% (dados do Indec), analistas apontam que esses números contrastam com a queda dos salários reais e aposentadorias, gerando o fenômeno dos "trabalhadores pobres".

Desafios da candidatura de Flávio Bolsonaro

Além da falta de apoios partidários, o senador enfrenta obstáculos internos e jurídicos. Flávio Bolsonaro lida com dificuldades de aceitação junto ao eleitorado feminino, atritos públicos com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e investigações do STF sobre repasses financeiros negociados com o banqueiro Daniel Vorcaro para a produção de uma cinebiografia de seu pai. Tais fatores levaram partidos do Centrão a adotarem postura de neutralidade nesta eleição.

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