Lula abre debate de líderes na Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abre, nesta terça-feira (22), a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York. O discurso abordará a reforma do Conselho de Segurança, a defesa do multilateralismo e a preservação do meio ambiente. O mandatário também tratará de temas como a regulação da inteligência artificial e a soberania nacional
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abre, na manhã desta terça-feira (22), o debate de líderes da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. O mandatário brasileiro, que chegou aos Estados Unidos no último domingo (20), dedicou a agenda de segunda-feira (21) a reuniões com aliados e aos ajustes finais do texto, conduzidos junto à assessoria internacional do governo.
A estratégia do governo é posicionar o presidente brasileiro como um contraponto a Donald Trump, especialmente em temas como paz mundial, comércio e democracia. Embora a intenção seja estabelecer essa oposição ideológica, a orientação é que o discurso não direcione críticas nominais a Trump.
Multilateralismo e Governança Global
Um dos pilares da fala de Lula será a crítica à erosão do multilateralismo. O presidente deve argumentar que o enfraquecimento da cooperação internacional gera impactos diretos em áreas como saúde, segurança, soberania nacional, comércio e na emergência climática.
Nesse contexto, o presidente brasileiro deve reiterar a necessidade de uma reforma no Conselho de Segurança da ONU. A crítica central reside na incapacidade do órgão de mediar soluções pacíficas ou evitar conflitos quando seus próprios membros permanentes — Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França — estão envolvidos em guerras. O modelo atual, que concede poder de veto a esses cinco países, é visto por Lula como um entrave à eficácia da organização.
Soberania e Geopolítica
O discurso deve abordar a defesa da soberania brasileira, com críticas a tentativas de interferência externa no processo eleitoral do Brasil. Para a equipe governamental, a influência dos Estados Unidos, especialmente via big techs e protagonismo geopolítico, representa a maior ameaça à reeleição do petista.
Embora as eleições brasileiras não sejam o eixo central da fala, a diplomacia nacional considera o tema relevante sob a premissa de que a democracia e o multilateralismo enfrentam ataques globais. Lula também deve manifestar críticas a conflitos internacionais e a ameaças à soberania de nações da América Latina, citando a captura de Nicolas Maduro na Venezuela no início do ano.
Prioridades da Agenda Internacional
O presidente reforçará diretrizes tradicionais da política externa do Brasil, incluindo:
- Negociações de paz e respeito ao direito internacional humanitário;
- Combate ao crime organizado e cooperação internacional;
- Preservação do meio ambiente e regulação da inteligência artificial;
- Não interferência nos assuntos internos de outros Estados.
Sobre o crime organizado, a orientação é destacar as ações do governo brasileiro e a importância da cooperação entre países, sem citar especificamente o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Sucessão na ONU
Outro ponto relevante é a definição do sucessor de Antônio Guterres como secretário-geral da organização. O Brasil defende que o cargo seja ocupado por uma mulher latino-americana, seguindo o critério de rotatividade. O governo brasileiro apoiava a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, que retirou sua candidatura após perder apoio interno em seu país. A escolha final caberá à Assembleia Geral, mediante indicação do Conselho de Segurança.