Lula afirma que Brasil não aceitará novas tarifas comerciais propostas pelos Estados Unidos
O presidente Lula criticou a proposta dos Estados Unidos de aplicar tarifas adicionais de 12,5% e 25% sobre produtos brasileiros. As taxas decorrem de investigações sobre trabalho forçado e restrições comerciais, totalizando uma sobretaxa de 37,5%. O senador Flávio Bolsonaro negou influência nas medidas e atribuiu as tarifas ao tom do governo brasileiro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu, em reunião ministerial no Palácio do Planalto nesta quarta-feira (3), à proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos de aplicar novas tarifas sobre produtos brasileiros. O governo americano sugere a imposição de taxas adicionais de 12,5% após uma investigação concluir, na terça-feira (2), que 60 países, incluindo o Brasil, não fiscalizaram adequadamente a importação de mercadorias produzidas via trabalho forçado.
Essa medida soma-se a um relatório divulgado na segunda-feira (1º), que acusa o Brasil de restringir o comércio com os Estados Unidos e prevê tarifas de 25%. Caso ambas as propostas sejam implementadas, a sobretaxa total sobre as mercadorias brasileiras chegaria a 37,5%.
Durante a audiência, Lula afirmou que o Brasil não aceitará o tratamento recebido dos Estados Unidos nesta semana e declarou que o país não adotará mais a "política do vira-lata" perante grandes potências, defendendo a soberania nacional e a reciprocidade no respeito internacional. O presidente relatou ter sido surpreendido pela notícia das taxas, da qual tomou conhecimento por meio das redes sociais, e ressaltou que o Brasil nunca se recusou a negociar tarifas comerciais com os norte-americanos.
O presidente também criticou o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, classificando-o como "antiamérica" e "latinoamericano frustrado".
Ainda na reunião, Lula associou as medidas tarifárias e a classificação de facções criminosas como organizações terroristas a articulações políticas internas. Sem citar nomes, o presidente afirmou que há indivíduos tentando trair o país com interesses eleitorais rasteiros, descrevendo como "grosseria" e "traição da pátria" a tentativa de provocar punições ao Brasil para obter vantagem em candidaturas. Lula referiu-se a um "imbecil" que não compreenderia que a taxação de produtos prejudica a nação, e não apenas um adversário político.
Por outro lado, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, nega a influência nas tarifas. O parlamentar afirmou ter solicitado a Donald Trump que novas taxas não fossem impostas a empresas brasileiras, chegando a enviar uma carta à Casa Branca para reiterar o pedido. Para o senador, que se reuniu com Trump e Marco Rubio na semana passada, as tarifas são consequência do tom agressivo adotado por Lula contra os Estados Unidos.