Lula anuncia a extinção da fila de espera do INSS em evento no Palácio do Planalto
O presidente Lula anuncia nesta quinta-feira, no Palácio do Planalto, a extinção da fila de espera do INSS. O volume de pessoas aguardando benefícios previdenciários caiu de 3 milhões para cerca de 1,3 milhão, enquanto os pedidos indeferidos cresceram 70% no ano
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realiza, nesta quinta-feira (3), às 15 horas, um evento no Palácio do Planalto denominado "Atendimento Sem Fila na Previdência Social". O objetivo da cerimônia é anunciar a extinção da fila de espera do INSS, meta estabelecida pelo governo desde a posse em 2023.
De acordo com declarações recentes do presidente, a expectativa é que a espera por análises seja reduzida para um patamar considerado normal, atingindo apenas 251 mil pessoas com prazo de aguardo de 45 dias. Atualmente, o volume de pessoas que esperam a concessão de benefícios previdenciários é de aproximadamente 1,3 milhão.
Evolução dos indicadores e indeferimentos
O governo federal registrou uma redução de 74% na fila de espera ao longo deste ano. Dados do Ministério da Previdência Social indicam que o número de benefícios represados caiu para 1,8 milhão em junho e atingiu 1,55 milhão ao final de julho, o nível mais baixo dos últimos 21 meses. Ao assumir o mandato, a gestão encontrou um represamento de cerca de 3 milhões de atendimentos.
Paralelamente à queda nas filas, houve um aumento significativo nos pedidos negados. O volume de benefícios indeferidos cresceu 70% no acumulado do ano em comparação ao mesmo período anterior, aproximando-se de 1 milhão de casos em junho. As maiores taxas de rejeição concentram-se em requerimentos de incapacidade, que abrangem a aposentadoria por incapacidade permanente, o auxílio-acidente e o auxílio por incapacidade temporária.
Mudanças na gestão do INSS
Para acelerar a entrega da meta, o governo alterou a presidência da autarquia em abril. Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira e analista do seguro social desde 2003, substituiu Gilberto Waller. A nomeação foi defendida pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, com a missão específica de zerar as filas.
Ana Cristina traz o histórico de ter presidido o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) por quase três anos, período em que a capacidade de análise de recursos do órgão foi duplicada.
Histórico de fraudes e reestruturação
A gestão anterior, liderada por Gilberto Waller a partir de 30 de abril do ano passado, teve como foco a reorganização administrativa após a descoberta de um esquema de fraudes. Naquele período, a Polícia Federal identificou desvios que podem somar R$ 6,3 bilhões, realizados por meio de descontos indevidos em folhas de pagamento de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024.
As investigações resultaram no afastamento e posterior prisão do ex-presidente do instituto, Alessandro Stefanutto, ocorrida em novembro do ano passado, além da detenção de cinco servidores da cúpula da autarquia.