Política

Lula classifica como inaceitável a proposta dos Estados Unidos de aplicar novas tarifas a produtos brasileiros

03 de Junho de 2026 às 12:12

O presidente Lula criticou a proposta dos Estados Unidos de aplicar tarifas adicionais de 12,5% e 25% sobre produtos brasileiros. A medida norte-americana baseia-se em investigações sobre trabalho forçado e restrições ao comércio. O governo brasileiro planeja contestar a decisão por meio de cartas e artigos

Durante reunião ministerial no Palácio do Planalto nesta quarta-feira (3), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou discordância em relação ao tratamento dispensado pelos Estados Unidos ao Brasil, classificando a postura norte-americana como inaceitável. O chefe de Estado afirmou que não recebeu comunicado oficial do governo dos EUA sobre a proposta de novas tarifas comerciais a produtos brasileiros, relatando ter sido surpreendido pelo anúncio.

A tensão surge após a conclusão de uma investigação de um escritório norte-americano, finalizada na terça-feira (2), que apontou falhas na proibição e fiscalização da importação de mercadorias produzidas via trabalho forçado em 60 países, incluindo o Brasil. Como contrapartida, os Estados Unidos propuseram a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos dessas nações.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, essa sobretaxa deve ser somada a outra medida prevista em relatório divulgado na segunda-feira (1º), que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que restringem ou oneram o comércio com os EUA, prevendo tarifas de 25%. Caso ambas as medidas entrem em vigor, a taxação total sobre as mercadorias brasileiras chegaria a 37,5%, aproximando-se dos 40% impostos no ano anterior.

Lula informou que pretende enviar uma nova carta a Donald Trump e que está disposto a escrever artigos na imprensa mundial e americana para argumentar contra a posição dos Estados Unidos, que considerou equivocada e indutora de violência desnecessária. O presidente relatou ter entregue pessoalmente a Trump quatro documentos fundamentais para a relação bilateral, abordando a exploração de terras raras, o combate a facções criminosas e a guerra no Irã. Sobre o diálogo com o líder norte-americano, Lula mencionou que o prazo de um mês ainda não terminou e que Trump deveria recuar caso as medidas se provem erradas.

Ainda durante a reunião, o presidente criticou a atuação de indivíduos que, segundo ele, buscam punir o país para obter vantagens eleitorais ou derrotar candidaturas, classificando tal conduta como traição da pátria e grosseria. Sem citar nomes, referiu-se a um "imbecil" por não compreender que a taxação de produtos prejudica a nação e não um adversário político. Lula também reiterou críticas ao Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, definindo-o como um "latino-americano frustrado", e defendeu a cessação de conflitos armados globais em busca da paz.

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