Lula critica ausência de votação do fim da escala 6x1 no plenário do Senado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a ausência de votação da proposta que extingue a escala 6x1 no plenário do Senado. A medida foi aprovada pela CCJ, mas o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, não incluiu a matéria na pauta. O governo atribui a paralisação a uma articulação da oposição liderada por Flávio Bolsonaro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou publicamente sua insatisfação com a ausência de votação da proposta que extingue a escala de trabalho 6x1 no plenário do Senado. Na quinta-feira (3), o mandatário defendeu a medida e atribuiu a paralisação do texto à influência do grupo político liderado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A movimentação ocorre após a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ter sido aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na quarta-feira (2), etapa que a deixou apta para a análise dos senadores. Embora o governo tenha pressionado para que a decisão fosse tomada durante o atual esforço concentrado da Casa, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), optou por não incluir a matéria na pauta.
Impasses na articulação e votação
A ausência da proposta no plenário está ligada à incerteza sobre a quantidade de votos necessários para a aprovação. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que Alcolumbre questionou a base governista sobre a garantia dos números antes de pautar o tema.
Para Randolfe, a não votação foi resultado de uma articulação da oposição, encabeçada pelos senadores Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho. O líder destacou que, apesar de apenas quatro votos contrários terem sido registrados na CCJ, houve uma desmobilização estratégica para evitar que o assunto chegasse ao plenário. Os votos contrários na comissão foram de:
- Hamilton Mourão (Republicanos-RS);
- Tereza Cristina (PP-MS);
- Jaime Bagatoli (PL-RO);
- Rogério Marinho (PL-RN).
Calendário e estratégia política
O cenário é pressionado pelo calendário eleitoral, sendo esta a última semana de esforço concentrado antes do primeiro turno das eleições, em 4 de outubro. A aprovação da medida é considerada uma vitória política central, pois o fim da escala 6x1 tornou-se uma das principais bandeiras da campanha de reeleição de Lula.
O senador Jaques Wagner (PT-BA) admitiu que a aprovação poderá se tornar mais complexa após o pleito, apontando a pressão popular e a busca ativa por votos como caminhos necessários.
Perspectivas e diálogo institucional
O governo planeja insistir na pauta e tenta viabilizar a votação ainda em setembro, por meio de uma eventual convocação extraordinária, ou na segunda semana de outubro, durante o próximo esforço concentrado.
Recentemente, Lula e Alcolumbre realizaram quatro reuniões para retomar o diálogo institucional e discutir pautas prioritárias, como a PEC da Segurança Pública, a política de minerais críticos e a alteração da jornada de trabalho. No entanto, o comando do Senado limitou seu compromisso ao trâmite da proposta na CCJ, sem garantir a ida do texto ao plenário.