Lula critica proposta dos Estados Unidos de aplicar tarifas sobre mercadorias brasileiras
O presidente Lula reuniu-se com seus ministros para discutir a proposta dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 25% e sobretaxas de 12,5% sobre produtos brasileiros. O governo brasileiro rejeitou as acusações americanas e a classificação de facções criminosas como organizações terroristas. A pauta incluiu a indicação de Jorge Messias ao STF e a PEC que extingue a jornada de trabalho 6x1
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se nesta quarta-feira (3), no Palácio do Planalto, com a nova composição de sua equipe ministerial para 2026. Este foi o primeiro encontro coletivo com os ministros desde as trocas de titulares em 18 pastas, ocorridas em abril devido ao prazo de desincompatibilização para concorrentes a mandatos eletivos. O último encontro nesse formato havia sido realizado no fim de março.
A pauta central da reunião foi a resposta do Brasil às recentes medidas impostas pelos Estados Unidos. O governo americano concluiu, na última segunda-feira (1º), uma investigação que acusa o Brasil de adotar práticas que restringem o comércio bilateral, citando o PIX, a pirataria, o desmatamento ilegal e falhas em leis anticorrupção. Como consequência, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR) propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, embora tenha listado exceções para produtos estratégicos, como café, frutas, carne, aeronaves e terras raras.
Lula criticou a medida, classificando-a como insensatez e baseada em inverdades. O presidente argumentou que o déficit comercial é, na verdade, do Brasil em relação aos Estados Unidos, e que a taxação deveria ocorrer no sentido oposto. Durante a reunião, ele exibiu um slide com a frase "O PIX é do Brasil", reafirmando a soberania da ferramenta. O governo brasileiro manifestou indignação via nota oficial, alegando que o relatório americano é uma tentativa de ingerência interna motivada por provocações da família Bolsonaro.
Além da tarifa comercial, o Brasil foi incluído em uma lista de 60 países que, segundo os Estados Unidos, falharam na fiscalização de importações provenientes de trabalho forçado. A proposta é a aplicação de uma sobretaxa adicional de 12,5% sobre todos os produtos dessas nações, valor que, segundo o Ministério das Relações Exteriores, deve ser somado à taxa anterior.
No campo diplomático, Lula afirmou desejar o fortalecimento da relação com os Estados Unidos e a busca pela verdade histórica, declarando que o país não quer guerra. O presidente mencionou que o secretário de Estado, Marco Rubio, não gosta da América Latina e cobrou do presidente Donald Trump uma reunião ou telefonema para explicações sobre as medidas. Lula também afirmou que há pessoas tentando trair o Brasil por interesses mesquinhos.
A tensão com Washington também envolve a segurança pública, após o Departamento de Estado americano anunciar a classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. O governo brasileiro rejeitou intervenções internacionais, embora o ministro da Fazenda, Dario Durigan, tenha programado reuniões com autoridades americanas para discutir os impactos da decisão.
Internamente, o presidente cobrou de seus ministros a entrega de metas antes do período eleitoral. A agenda incluiu a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), nome que será reenviada ao Senado após ter sido rejeitada em abril. Na mesma época, o Congresso derrubou o veto presidencial ao PL da Dosimetria, que reduz penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro, incluindo Jair Bolsonaro.
Outro ponto discutido foi a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a jornada de trabalho 6x1. A medida, aprovada pela Câmara com apoio da base governista, enfrenta resistência no Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, afirmou que o Senado não deve apenas "carimbar" a proposta e encaminhou outra PEC sobre jornada de trabalho à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).