Lula defende abertura total do sigilo das investigações do caso Master
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a abertura total do sigilo das investigações do caso Master, que apura a inflação artificial do valor do extinto banco. No STF, o ministro Flávio Dino anulou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal e do diretor de Inteligência, decididos pelo ministro André Mendonça
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta quarta-feira (9), a abertura total do sigilo das investigações do caso Master, classificando a trama como o maior crime financeiro da história do Brasil. A manifestação ocorre em um momento de instabilidade institucional no Supremo Tribunal Federal (STF), onde o presidente cobrou transparência para evitar que vazamentos seletivos de informações interfiram na disputa eleitoral para o seu quarto mandato.
Crise institucional no STF
O conflito no Judiciário intensificou-se após o ministro André Mendonça, relator de processos do caso, ter liberado relatórios da Polícia Federal que revelam trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em resposta, Moraes solicitou ao presidente da Corte, Edson Fachin, a abertura de uma apuração sobre a conduta de Mendonça.
A tensão escalou com a decisão de Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. No entanto, a medida foi anulada nesta quarta-feira (9) pelo ministro Flávio Dino, que determinou o retorno imediato dos dois delegados às suas funções.
O esquema do Banco Master
As investigações da Polícia Federal apuram um suposto mecanismo de inflação artificial do valor do extinto Banco Master. O esquema consistia na utilização de carteiras de crédito e ativos sem lastro real para simular uma solidez financeira inexistente. Essa estrutura teria permitido que a instituição captasse bilhões de reais de investidores e operasse sem as garantias exigidas.
Como modelo de transparência, o presidente citou a condução da Operação Spoofing, liderada anteriormente pelo ministro Ricardo Lewandowski. A referida operação investigou a invasão de aparelhos celulares de autoridades públicas, resultando na divulgação de mensagens que geraram questionamentos sobre a gestão da Operação Lava Jato.