Lula defende apuração de denúncias para recuperar a credibilidade do Supremo Tribunal Federal
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a apuração de denúncias no STF para recuperar a credibilidade da Corte e a urgência de uma reforma no Judiciário. O mandatário atribuiu a Edson Fachin a responsabilidade de evitar que a instabilidade institucional interfira nas eleições de outubro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta quarta-feira (16), a necessidade de aprimorar a credibilidade do Supremo Tribunal Federal (STF) por meio da apuração rigorosa de denúncias recentes. Em entrevista ao podcast Desce a Letra Show, o mandatário afirmou que a sociedade brasileira não pode conviver com a sucessão de acusações sem que haja conclusões definitivas, reiterando que ninguém, inclusive integrantes do Judiciário, está acima da lei.
Impactos no processo eleitoral
Lula manifestou preocupação com a crise institucional e atribuiu ao presidente do STF, Edson Fachin, a responsabilidade de evitar que a instabilidade na Corte interfira nas eleições, cujo primeiro turno ocorre em 4 de outubro e o segundo em 25 de outubro. O presidente criticou a condução do debate ocorrido na terça-feira (15), classificando a dinâmica como incorreta.
A sessão mencionada analisava a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, mas o julgamento foi interrompido após um pedido de vista do ministro Flávio Dino.
Reformas institucionais e Judiciário
A atual conjuntura reforçou a convicção do presidente sobre a urgência de uma reforma no Poder Judiciário. Lula argumentou que o desgaste da imagem da instituição e as queixas recorrentes sobre seu funcionamento tornam a discussão inevitável. O mandatário expandiu a necessidade de mudanças para o sistema político, classificando a política brasileira como "apodrecida".
Essa posição de defender reformas no Judiciário tem sido reiterada por Lula diante de revelações sobre o Caso Master e a suposta proximidade entre o ministro da Corte e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Defesa de Alexandre de Moraes
Apesar das críticas ao clima de tensão no Supremo, o presidente manteve a admiração pelos ministros e destacou a atuação de Alexandre de Moraes. Lula afirmou que o ministro desempenhou um papel extraordinário na proteção da democracia após o pleito de 2022.
Para o presidente, as críticas direcionadas a Moraes são reflexos das investigações conduzidas pelo STF, especialmente as que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados suspeitos de tentativa de golpe de Estado.
Garantias jurídicas e punições
Lula enfatizou que qualquer investigação deve assegurar a presunção de inocência e o direito à ampla defesa. No entanto, defendeu que eventuais irregularidades sejam apuradas e os responsáveis punidos, independentemente do cargo ocupado.
O posicionamento atual converge com declarações feitas em 10 de setembro, quando o presidente expressou satisfação com medidas de Edson Fachin para conter a crise, mas cobrou ações mais incisivas para "colocar ordem na casa".