Política

Lula defende investimentos em defesa diante de instabilidade global e tensões com os Estados Unidos

26 de Junho de 2026 às 15:07

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu investimentos em defesa e soberania nacional durante evento em Santa Catarina nesta sexta-feira (26). O governo brasileiro diverge dos Estados Unidos sobre a classificação de facções criminosas como terroristas e a proposta de tarifas de até 25% sobre produtos nacionais. Uma audiência pública na legislação comercial americana ocorrerá em 6 de julho para discutir as sobretaxas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a necessidade de investimentos em defesa e o fortalecimento da soberania nacional para preparar o Brasil diante de um cenário global de instabilidade e conflitos. As declarações ocorreram nesta sexta-feira (26), durante o batismo da Fragata “Cunha Moreira”, em Santa Catarina. O presidente argumentou que o país deve estar apto a se defender, embora não pretenda ingressar em confrontos, ressaltando que o mundo atravessa a maior concentração de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial.

Nesse contexto, Lula criticou as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, feitas no início de 2025, nas quais o líder americano não descartou o uso da força para anexar a Groenlândia e o Canal do Panamá.

A tensão entre os governos brasileiro e americano é acentuada pela decisão de Washington de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O governo brasileiro avalia que tal medida permite ações mais rigorosas dos Estados Unidos e, em situações extremas, poderia justificar a condução de operações militares em território brasileiro, seguindo precedentes em outras nações.

No campo econômico, o principal ponto de divergência reside na política comercial dos Estados Unidos, que propôs a aplicação de tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros. O governo Lula classificou a medida como inadequada. A disputa deve ter um desdobramento decisivo em 6 de julho, data de uma audiência pública prevista na legislação comercial americana, na qual empresas e governos poderão apresentar argumentos antes da decisão final da administração Trump.

Recentemente, o secretário de Estado Marco Rubio reafirmou a intenção de impor as sobretaxas em carta enviada ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O parlamentar, que visitou Washington e se reuniu com Trump, o vice J.D. Vance e o próprio Rubio, havia solicitado a não aplicação do "tarifaço", mas o governo americano manteve a posição e reiterou críticas às políticas comerciais do Brasil. Flávio Bolsonaro também defendeu a classificação das facções brasileiras como terroristas durante suas reuniões nos Estados Unidos.

O desgaste institucional contrasta com momentos anteriores de aproximação, como a visita de Lula à Casa Branca em 7 de maio. Na ocasião, após reunião de três horas, Trump descreveu o presidente brasileiro como "muito dinâmico" e classificou o encontro como "muito bom", enquanto Lula manifestou satisfação e defendeu a parceria econômica e comercial. Mais recentemente, na Cúpula do G7, na França, a interação entre os dois presidentes foi limitada; embora tenham posado para a foto oficial, não houve troca de cumprimentos diante das câmeras.

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