Lula deve se reunir com Jaques Wagner para discutir permanência do senador na liderança governista
O presidente Lula e o senador Jaques Wagner discutirão a liderança do governo no Senado após operação da Polícia Federal. A investigação apura se o parlamentar recebeu R$ 3,5 milhões e benefícios materiais para favorecer o grupo financeiro de Augusto Lima
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve se reunir na próxima semana com o senador Jaques Wagner (PT-BA) para discutir a permanência do parlamentar como líder do governo no Senado. A conversa ocorre após a Polícia Federal deflagrar uma operação que investiga a relação de Wagner com o ex-banqueiro Augusto Lima, do Banco Master. No Palácio do Planalto, a percepção é de que as justificativas apresentadas pelo senador foram insuficientes, havendo a expectativa de que ele deixe o cargo voluntariamente para focar em sua defesa.
A investigação da PF apura se o senador utilizou seu cargo para beneficiar projetos do grupo financeiro de Lima e Vorcaro. Entre os pontos centrais estão a "Emenda Master" e uma proposta para ampliar o limite do crédito consignado, segmento em que o grupo atua via Credcesta, cartão de benefício com desconto em folha para aposentados, pensionistas e servidores públicos.
Em troca dessa atuação, a Polícia Federal suspeita que Wagner tenha recebido vantagens financeiras e materiais. O inquérito aponta repasses de R$ 3,5 milhões feitos por meio de uma empresa vinculada à nora do senador, Bonnie Toaldo Bonilha, e ao seu enteado, Eduardo Mendonça Sodré Martins.
A operação também detalha a aquisição de um apartamento na unidade 1702 do Poeme Residence, no bairro do Horto Florestal, em Salvador. O imóvel, avaliado em mais de R$ 2,4 milhões, é alvo de suspeitas; Wagner alegou ter pedido auxílio a Augusto Lima para a compra da unidade para a filha enquanto o prédio era construído, com o compromisso de recomprá-lo posteriormente.
Além do imóvel, a PF investiga a concessão de mordomias, como o uso de aviões particulares e a compra de ingressos para um show em Los Angeles, nos Estados Unidos. Os bilhetes, custando mais de R$ 63 mil, teriam sido pagos pela empresa Reag Investimentos para a família do senador.