Política

Lula e Flávio Bolsonaro adotam estratégias opostas de arrecadação de recursos segundo dados do TSE

23 de Outubro de 2026 às 07:10 4 min de leitura

Dados do TSE indicam que Flávio Bolsonaro arrecadou R$ 36,9 milhões de 727 doadores, com alta concentração de grandes aportes, enquanto Lula obteve R$ 1,88 milhão de 571 financiadores. A campanha de Flávio priorizou o PIX, enquanto a de Lula diversificou a base de doadores e reduziu a dependência de valores elevados

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Lula e Flávio Bolsonaro adotam estratégias opostas de arrecadação de recursos segundo dados do TSE
Arte/g1

As campanhas presidenciais de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentam estratégias opostas de captação de recursos com pessoas físicas, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Enquanto o candidato do PL concentra sua arrecadação em um grupo reduzido de doadores de alto valor, o atual presidente diversificou sua base de financiadores, reduzindo a dependência de grandes aportes em comparação ao pleito de 2022.

Até 20 de outubro, Flávio Bolsonaro arrecadou R$ 36,9 milhões de 727 pessoas. O perfil da arrecadação é marcado pela alta concentração: apenas 93 doadores, que representam 13% do total de contribuintes, foram responsáveis por 84,3% dos recursos, tendo cada um doado R$ 100 mil ou mais. Se incluídos aqueles que contribuíram entre R$ 10 mil e R$ 99.999, o grupo de 270 pessoas passa a deter 98,1% do montante total.

Dinâmica de arrecadação e perfis de doadores

O fluxo financeiro de Flávio Bolsonaro intensificou-se após o primeiro turno. Entre 5 e 20 de outubro, a campanha recebeu R$ 30,1 milhões em 654 doações, o que corresponde a 81% de todo o valor acumulado até então. O maior aporte individual foi um PIX de R$ 1,8 milhão, realizado pelo fazendeiro Wilson Francisco Rotta no dia 20 de outubro. Outra contribuição relevante foi a do prefeito de Chapadão do Sul (MS), Walter Schlatter (PP), que transferiu R$ 300 mil em 1º de setembro.

A estrutura de financiamento de Flávio difere daquela utilizada por Jair Bolsonaro em 2022. Naquela ocasião, a estratégia focou em pequenas doações, com 368,6 mil pessoas contribuindo para somar R$ 88 milhões, sendo que 62% dessas transferências foram PIX de R$ 1. Na campanha atual, a base é menor e mais concentrada, com 13% dos doadores na faixa acima de R$ 100 mil, contra apenas 0,05% na eleição anterior.

Mudança no perfil de Lula

A campanha de Lula registrou um movimento inverso, com a ampliação do número de doadores diretos. Até 20 de outubro, o candidato contou com 571 financiadores, um volume 4,8 vezes maior do que os 120 registrados em toda a campanha de 2022. O montante arrecadado foi de R$ 1,88 milhão, valor inferior aos R$ 2,6 milhões da eleição passada.

Houve uma redução drástica na concentração de recursos. Em 2022, oito pessoas que doaram R$ 100 mil ou mais concentravam 70% da arrecadação. Neste ano, apenas um doador atingiu essa faixa — Erasmo Carlos Battistella, com R$ 500 mil —, representando 27% do total. A doação média caiu de R$ 21,1 mil para R$ 3 mil, e a faixa de contribuições entre R$ 1 mil e R$ 9.999 passou a representar um terço da arrecadação, contra 4% em 2022.

Meios de pagamento e fidelidade de base

O PIX é a ferramenta predominante para Flávio Bolsonaro, respondendo por 93% das operações (765 doações) e 73% do valor total (R$ 27,1 milhões), com mediana de R$ 2 mil. Já na campanha de Lula, as transferências bancárias têm maior peso, somando R$ 991 mil (49% do total), enquanto o PIX totalizou R$ 882 mil (44%).

Quanto à composição da base:

  • Flávio Bolsonaro: 31% de seus doadores (228 pessoas) já haviam contribuído para Jair Bolsonaro em 2022. Entre os grandes doadores (acima de R$ 100 mil), 29% repetiram o apoio. O empresário Alexandre Grendene Bartelle, por exemplo, doou R$ 1 milhão a Jair em 2022 e o mesmo valor a Flávio em 16 de outubro deste ano.
  • Lula: A renovação foi mais expressiva, com apenas cinco dos 571 doadores atuais tendo contribuído diretamente para sua campanha presidencial de 2022.

As doações estimáveis em bens e serviços somaram R$ 123 mil para Flávio e R$ 131,5 mil para Lula. Não foram registrados cheques em nenhuma das campanhas.

Os dados são parciais, baseados em prestações de contas do TSE até 20 de outubro de 2026, e não incluem recursos de financiamento coletivo (vaquinhas virtuais)..

Com informações de G1

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