Política

Lula e Flávio Bolsonaro concentram início de campanhas em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais

15 de Agosto de 2026 às 07:35

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) iniciam campanhas em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, estados que somam 65,5 milhões de eleitores. As agendas incluem eventos em São Bernardo do Campo, Belo Horizonte e Juiz de Fora. As propostas divergem em áreas como segurança pública, saúde e educação

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Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) iniciam suas campanhas eleitorais concentrando esforços nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Juntos, esses três colégios eleitorais representam 42% do eleitorado nacional, totalizando 65,5 milhões de votantes.

Lula dará início às atividades em São Bernardo do Campo neste domingo, cidade onde começou sua trajetória política no Sindicato de Metalúrgicos. A agenda da primeira semana inclui compromissos em Minas Gerais, na sexta-feira (21), e no Rio de Janeiro, no sábado (22). Já Flávio Bolsonaro lança sua candidatura no Rio de Janeiro, seu reduto político, no domingo (16), seguindo para Minas Gerais no dia seguinte, com agendas previstas em Belo Horizonte e Juiz de Fora.

Estratégias de comunicação e redes sociais

A coordenação de Flávio Bolsonaro, liderada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), pretende atrair eleitores indecisos por meio de um comparativo entre a gestão de Jair Bolsonaro e os 18 anos de governos do PT. O foco será a irresponsabilidade fiscal, a segurança pública, a corrupção e a economia, especialmente os preços dos alimentos. Marinho defende o uso orgânico das redes sociais para engajar a direita e critica a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), argumentando que a Corte extrapola suas competências constitucionais e desequilibra o processo democrático.

Por outro lado, Edinho Silva, coordenador de Lula, afirma que a estratégia será baseada na divulgação das entregas e programas do governo federal nos últimos três anos e meio, priorizando o contato direto com a população e a presença digital. Silva defende a fiscalização rigorosa das plataformas digitais e a responsabilização de empresas por conteúdos ilícitos, citando os riscos trazidos pela inteligência artificial.

Segurança Pública e Justiça

O plano de governo de Flávio Bolsonaro propõe a classificação de milícias e facções como o PCC e o Comando Vermelho como organizações narcoterroristas, com foco no bloqueio de ativos e combate à lavagem de dinheiro. O senador defende a redução da maioridade penal para 16 anos — com punições para maiores de 14 em crimes graves — e a criação de cinco novos presídios federais de segurança máxima, inspirados no modelo de El Salvador, para formar o complexo "TREVA", destinado a lideranças criminosas. Para o combate ao feminicídio, propõe o endurecimento da lei e o uso de tornozeleiras eletrônicas para agressores com medidas protetivas.

A campanha de Lula destaca a estratégia de "asfixia financeira" do crime organizado. Entre as medidas citadas estão a Lei Antifacção, o programa Brasil Contra o Crime Organizado, a PEC da Segurança Pública e a revogação de decretos que facilitavam o acesso a armas de fogo. A prioridade para o próximo mandato será a aprovação da referida PEC e a ampliação do combate ao feminicídio.

Saúde e Educação

Na saúde, Lula foca na recomposição da cobertura vacinal e critica a gestão da pandemia no governo anterior. Para um novo mandato, a meta é ampliar equipes, qualificar atendimentos e aumentar a oferta de exames. Flávio Bolsonaro, buscando diferenciar-se do pai, reafirma ter tomado a vacina contra a covid-19 e propõe a manutenção das campanhas de imunização, incentivo à produção nacional de vacinas e a criação de um programa para idosos. O senador também defende a digitalização da saúde via prontuário eletrônico único integrado ao Gov.br e ao CPF.

No campo educacional, as propostas divergem significativamente:

  • Flávio Bolsonaro: Defende a alfabetização pelo método fônico, a criação do Programa Acolher (remuneração de alunos com bom desempenho para dar reforço a colegas) e a vinculação de repasses escolares a metas de proficiência. Propõe ainda substituir o Fies pelo Empréstimo Contingente à Renda, onde o pagamento inicia apenas após a obtenção de emprego, com parcelas proporcionais ao salário.
  • Lula: A prioridade é a universalização da educação em tempo integral, tendo criado 1,8 milhão de matrículas entre 2023 e 2025. O plano inclui o fortalecimento do programa Pé-de-Meia, que reduziu a evasão escolar em 43%, além de investimentos em ensino técnico e a conclusão de obras da Universidade Indígena, da Universidade do Esporte e do ITA no Ceará.

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