Lula e Flávio Bolsonaro divergem sobre pautas sociais e economia no horário eleitoral gratuito
O horário eleitoral de quinta-feira (22) apresentou o embate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que defendeu programas sociais e criticou a atuação jurídica de Flávio Bolsonaro (PL), e este, que focou em economia e endurecimento da segurança pública. Lula questionou cortes orçamentários e a defesa de um policial militar, enquanto Flávio propôs redução de juros, cashback e a diminuição da maioridade penal
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O horário eleitoral gratuito desta quinta-feira (22) foi marcado pelo embate direto entre as propostas e o histórico dos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Enquanto o atual presidente focou a narrativa na preservação de direitos sociais e em questionamentos éticos ao adversário, o candidato do PL concentrou suas peças na economia doméstica e em medidas de endurecimento da segurança pública.
Pautas sociais e questionamentos jurídicos
A estratégia de Lula priorizou a defesa de programas assistenciais, posicionando-se como a garantia de manutenção das conquistas populares e do fluxo econômico. Em suas propagandas, o petista criticou a proposta de corte de R$ 250 bilhões no orçamento apresentada por Flávio Bolsonaro, afirmando que tal medida impactaria aposentadorias, o Bolsa Família e programas de proteção às mulheres.
O presidente também relembrou gestões anteriores, citando vetos ao reajuste de merendas escolares e a redução de medicamentos no Farmácia Popular durante o governo de Jair Bolsonaro. No campo legislativo, a campanha destacou que Flávio Bolsonaro, enquanto deputado estadual no Rio de Janeiro, votou contra a ampliação da licença-maternidade para seis meses.
Um ponto central da narrativa de Lula foi a atuação jurídica de Flávio Bolsonaro na defesa do cabo da Polícia Militar Bruno Dias Dellaroli. O policial é réu por homicídio doloso após a morte de Ana Clara Machado, de 5 anos, ocorrida em fevereiro de 2021 em Niterói. A peça eleitoral exibiu depoimentos da mãe da vítima e mencionou que Flávio integrou a defesa do militar, recorrendo ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a ida do caso ao Tribunal do Júri.
Na ocasião, a defesa solicitou a alteração da tipificação do crime de homicídio doloso para culposo, alegou falhas periciais e pediu a remoção da agravante de impossibilidade de defesa da vítima. O STJ negou os pedidos. O policial responde em liberdade desde novembro de 2021 e o julgamento está agendado para maio de 2027.
Economia e segurança pública
Já a campanha de Flávio Bolsonaro centrou-se no custo de vida e no poder de compra do cidadão. Utilizando imagens de supermercados e citando a redução do tamanho de produtos, o candidato criticou a inflação dos alimentos e utilizou falas antigas de Lula sobre a substituição da carne por ovos para reforçar a tese de crise econômica.
Em suas propostas, Flávio prometeu a redução dos juros para aumentar a renda disponível da população e apresentou a iniciativa vira PIX, um programa de cashback.
No eixo da segurança pública, o candidato do PL defendeu medidas rigorosas, incluindo:
- Aumento em quatro vezes da pena para roubo de aparelhos celulares;
- Redução da maioridade penal;
- Extinção das "saidinhas" temporárias de presos.
Para a implementação da redução da maioridade penal e do fim das saídas temporárias, Flávio afirmou que buscará o apoio da maioria do Congresso Nacional.
O encerramento do programa do PL contou com a mobilização de figuras públicas e políticas, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, a senadora eleita Michelle Bolsonaro e o deputado Nikolas Ferreira, além dos cantores Zezé Di Camargo, Gusttavo Lima e Marrone, convocando a militância para a atuação em redes sociais e ruas.