Lula e Flávio Bolsonaro realizam primeiro debate do segundo turno para as eleições de 2026
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) participaram, no domingo (18), do primeiro debate do segundo turno das eleições de 2026, promovido pelo Grupo Bandeirantes. O encontro abordou temas como segurança pública, economia e saúde, ocorrendo em cenário de empate técnico entre os candidatos
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Os candidatos à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizaram, na noite deste domingo (18), o primeiro debate do segundo turno das eleições de 2026. O encontro, promovido pelo Grupo Bandeirantes, marcou o primeiro confronto direto entre os dois postulantes ao cargo, ocorrendo a uma semana do pleito, agendado para 25 de outubro.
O embate foi estruturado em três blocos, alternando perguntas dos mediadores e confrontos diretos. Ambos haviam se ausentado do primeiro debate presidencial da emissora, ocorrido em 23 de agosto, que contou com a participação de Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante).
Segurança Pública e Justiça
No eixo de segurança, Flávio Bolsonaro propôs declarar "guerra ao narcoterrorismo", classificando as milícias e facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações narcoterroristas. O senador defendeu o endurecimento de penas, citando a lei antifacção para manter líderes presos por até 80 anos, e prometeu a retomada de territórios dominados pelo crime.
Lula, por sua vez, destacou que a segurança pública é competência dos estados, mas defendeu a aprovação de uma PEC para ampliar a atuação da União, o que resultaria na criação do Ministério da Segurança Pública. O presidente ressaltou a sanção da Lei Antifacção em março, que expandiu instrumentos de investigação, e defendeu a cooperação entre as três esferas governamentais para a recuperação de áreas críticas.
Sobre a maioridade penal, Flávio Bolsonaro manifestou apoio à redução para 16 anos na maioria dos crimes e 14 anos em casos específicos, além de defender a castração química para estupradores. Lula também sinalizou a redução da maioridade penal para 16 anos, especificamente em casos de crimes hediondos.
Economia e Produtividade
No campo econômico, Lula defendeu o estímulo ao crescimento via circulação de renda e incentivos a Microempreendedores Individuais (MEIs), além de apostar nas economias digital, verde e criativa para recuperar o grau de investimento do país.
Flávio Bolsonaro criticou a carga tributária, a dívida pública e o custo dos alimentos. O candidato propôs um ajuste fiscal com cortes de gastos para reduzir o endividamento do governo e auxiliar famílias endividadas. Sobre a produtividade, o senador sugeriu tratar a internet como infraestrutura e criar uma plataforma de conexão entre trabalhadores e RHs de empresas.
Lula rebateu focando na Nova Indústria Brasil e na necessidade de investimentos em inovação, engenharia e matemática para elevar a produção nacional.
Saúde e Gestão Pública
Questionados sobre as filas no Sistema Único de Saúde (SUS), Flávio Bolsonaro propôs a implementação de um prontuário eletrônico único via CPF, a expansão da telemedicina e a adoção de um modelo de gestão inspirado no Hospital Albert Einstein. O senador indicou o médico Claudio Luiz Lottenberg para o Ministério da Saúde.
Lula criticou a indicação e a gestão da saúde durante a pandemia de Covid-19, questionando se as propostas do adversário visavam a privatização do SUS. O presidente defendeu a ampliação do corpo médico e a redução do tempo de espera para tratamentos oncológicos.
Embates Diretos e Investigações
O debate foi marcado por trocas de acusações. Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre um voto de 2009 contra a ampliação da licença-maternidade de servidoras e sobre a proximidade do senador com o presidente argentino, Javier Milei. O presidente também desafiou o adversário a abrir suas contas bancárias e sigilos telefônicos.
Flávio Bolsonaro questionou Lula sobre investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, e a lobista Roberta Luchsinger, sob suspeita de tráfico de influência. Em nota anterior, o Planalto negou qualquer interlocução entre o presidente e a empresária. O senador também citou fraudes em benefícios do INSS.
Lula rebateu mencionando que seu governo combateu tais fraudes, resultando no indiciamento de 48 pessoas. Em contrapartida, cobrou explicações de Flávio sobre a investigação da Polícia Federal referente ao financiamento de R$ 134 milhões para o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro, processo que apura lavagem de dinheiro e corrupção.
Cenário Eleitoral
O confronto ocorre em um momento de empate técnico entre os candidatos. Pesquisas recentes indicam:
- Datafolha (15/10): Flávio Bolsonaro 47% vs. Lula 45%.
- Quaest (14/10): Flávio Bolsonaro 46% vs. Lula 44%.
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro obteve vantagem de 1,87 ponto percentual, totalizando cerca de 2,2 milhões de votos a mais que Lula.