Política

Lula enfrenta tendência de alternância de poder nas Américas para vencer Flávio Bolsonaro no segundo turno

24 de Outubro de 2026 às 07:59 3 min de leitura

Luiz Inácio Lula da Silva disputa o segundo turno das eleições contra Flávio Bolsonaro em um cenário de alternância de poder nas Américas. Em 11 das últimas 17 eleições democráticas no continente, houve troca de comando, tendência que atinge 57% dos países onde a reeleição é permitida

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta o desafio de reverter uma tendência de alternância de poder consolidada no continente americano para vencer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições deste ano. O cenário regional indica uma forte inclinação para a mudança de governos, movimento que se intensificou após 2022, quando Lula derrotou Jair Bolsonaro, tornando-o o primeiro presidente brasileiro a disputar a reeleição e não permanecer no cargo desde a instituição do mecanismo, em 1998.

Panorama de alternância no continente

Nos últimos 17 pleitos democráticos nas Américas, a troca de comando ocorreu em 65% dos casos (11 disputas), enquanto a continuidade ou a eleição de sucessores governistas aconteceu em apenas 35% (6 eleições). Essa tendência é ainda mais acentuada em países onde a reeleição é permitida: em sete disputas, apenas a República Dominicana, o Equador e o Canadá mantiveram os incumbentes no poder (43%), enquanto Brasil, Argentina, Estados Unidos e Honduras registraram a derrota dos governantes (57%).

A alternância de poder manifestou-se em diversas nações, com vitórias da oposição em:

  • Estados Unidos: Donald Trump retornou à Casa Branca em 2024, vencendo Kamala Harris com 312 votos no Colégio Eleitoral.
  • Argentina: Javier Milei venceu Sergio Massa em 2023 com 55,7% dos votos, em meio a uma crise econômica com inflação superior a 140% ao ano.
  • Chile: José Antonio Kast venceu Jeannette Jara em 2025, com 58% dos votos, devolvendo a presidência à direita.
  • Peru: Keiko Fujimori conquistou a presidência em 2026 com 50,13% dos votos, após três tentativas frustradas anteriores.
  • Colômbia: Abelardo de la Espriella derrotou Iván Cepeda em 2026, encerrando o primeiro governo de esquerda da história recente do país.
  • Bolívia: Rodrigo Paz venceu em 2025 com 54,5% dos votos, pondo fim a quase duas décadas de domínio do Movimento ao Socialismo (MAS).
  • Honduras: Nasry Asfura venceu em 2025 com 40,3% dos votos, substituindo Xiomara Castro.
  • Guatemala: Bernardo Arévalo venceu em 2023 com 60,9% dos votos.
  • Panamá: José Raúl Mulino venceu em 2024 com 34,3% dos votos.
  • Uruguai: Yamandú Orsi venceu em 2024 com 49,77% dos votos, devolvendo o governo à Frente Ampla.

Em contrapartida, a continuidade foi mantida no México, com a vitória de Claudia Sheinbaum em 2024 (59,8%), no Paraguai, com Santiago Peña em 2023 (42,7%), na Costa Rica, com Laura Fernández em 2026 (48%), além das reeleições na República Dominicana (Luis Abinader, 57,4%) e no Equador (Daniel Noboa, 55,6%), e a manutenção do Partido Liberal no Canadá em 2025, sob a liderança de Mark Carney.

Fatores econômicos e influência digital

A instabilidade dos governos atuais é refletida em baixos índices de popularidade. Donald Trump (EUA) apresenta 30% de aprovação, enquanto Javier Milei (Argentina) registra 38%. No Chile, José Antonio Kast, e no Peru, Keiko Fujimori, também mantêm aprovação em torno de 30% devido a crises econômicas.

Amâncio Jorge de Oliveira, professor da USP, associa esse desgaste a desequilíbrios fiscais severos, citando a Argentina como o caso mais crítico. O docente observa que a ascensão de gestões de direita na América Latina costuma combinar a exigência de controle fiscal com a retirada de direitos trabalhistas para viabilizar ajustes econômicos.

O professor destaca ainda que as redes sociais aceleram a volatilidade da opinião popular, facilitando tanto a ascensão de candidaturas alternativas quanto a queda rápida de governos recém-eleitos, tornando as mudanças de direção política mais bruscas do que as decisões tomadas pelas elites.

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