Política

Lula envia carta a famílias evangélicas para defender valores familiares e redução da jornada semanal

14 de Outubro de 2026 às 13:02 3 min de leitura

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma carta a famílias evangélicas defendendo a redução da jornada de trabalho e o combate às apostas on-line. O documento aborda a proteção familiar, a saúde pública e o combate ao crime organizado. A ação ocorre paralelamente à divulgação de um vídeo de mobilização religiosa para a reeleição

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma carta direcionada às famílias evangélicas como parte de uma estratégia de aproximação com esse segmento do eleitorado. O documento, datado desta quarta-feira (14), foi divulgado nas redes sociais pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito e foca em temas como religião, valores familiares e pautas governamentais.

Na mensagem, o presidente manifesta respeito pela fé cristã e defende que a proteção das famílias é um compromisso compartilhado. Lula destaca ações de sua gestão, como o combate às bets (apostas on-line), alegando que essa prática tem causado a destruição de lares brasileiros.

Pautas sociais e trabalhistas

Um dos pontos centrais da carta é a defesa de dois dias de descanso semanal. O presidente argumenta que a redução da jornada de trabalho permite maior convivência familiar e possibilita que os fiéis evangélicos dediquem mais tempo à comunhão e adoração em suas igrejas.

O texto também elenca as seguintes prioridades:

  • Combate ao crime organizado e à violência;
  • Proteção de mulheres, crianças e adolescentes;
  • Melhoria da saúde pública;
  • Aumento da renda e do poder de compra;
  • Preservação do meio ambiente.

Ao finalizar a mensagem, Lula solicita que os eleitores evangélicos busquem "discernimento" por meio da oração para definir sua escolha nas urnas.

Mobilização e cenário eleitoral

A iniciativa ocorre em um momento de resistência do eleitorado evangélico. Dados da pesquisa Quaest, de 28 de setembro, indicavam que Lula detinha 27% das intenções de voto nesse grupo no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) liderava com 46%. Já a simulação de segundo turno do Datafolha, de 1º de outubro, mostrou os dois candidatos tecnicamente empatados no geral (48% contra 45%), mas com vantagem de Flávio Bolsonaro entre os evangélicos.

Paralelamente ao envio da carta, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o advogado-geral da União, Jorge Messias, divulgaram um vídeo convidando o público cristão para o canal “Cristãos com Lula 13”, focado na mobilização religiosa para a reeleição.

Contexto institucional

Essas movimentações coincidem com a votação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala de trabalho 6x1, bandeira central da campanha de Lula.

No campo digital, a nova estratégia de mobilização surge após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinar a suspensão, por 48 horas, do canal “Exército do Lula”, gerido pelo deputado André Janones (Rede-MG). A decisão foi assinada pelo ministro Kassio Nunes Marques.

O uso de cartas para dialogar com evangélicos é um recurso recorrente do presidente e do PT. Em junho deste ano, o partido enviou mensagem similar reafirmando o respeito às igrejas, e, em 2022, Lula utilizou o formato para defender a liberdade religiosa e declarar-se contrário ao aborto.

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