Lula envia carta a famílias evangélicas para defender valores familiares e redução da jornada semanal
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma carta a famílias evangélicas defendendo a redução da jornada de trabalho e o combate às apostas on-line. O documento aborda a proteção familiar, a saúde pública e o combate ao crime organizado. A ação ocorre paralelamente à divulgação de um vídeo de mobilização religiosa para a reeleição
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma carta direcionada às famílias evangélicas como parte de uma estratégia de aproximação com esse segmento do eleitorado. O documento, datado desta quarta-feira (14), foi divulgado nas redes sociais pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito e foca em temas como religião, valores familiares e pautas governamentais.
Na mensagem, o presidente manifesta respeito pela fé cristã e defende que a proteção das famílias é um compromisso compartilhado. Lula destaca ações de sua gestão, como o combate às bets (apostas on-line), alegando que essa prática tem causado a destruição de lares brasileiros.
Pautas sociais e trabalhistas
Um dos pontos centrais da carta é a defesa de dois dias de descanso semanal. O presidente argumenta que a redução da jornada de trabalho permite maior convivência familiar e possibilita que os fiéis evangélicos dediquem mais tempo à comunhão e adoração em suas igrejas.
O texto também elenca as seguintes prioridades:
- Combate ao crime organizado e à violência;
- Proteção de mulheres, crianças e adolescentes;
- Melhoria da saúde pública;
- Aumento da renda e do poder de compra;
- Preservação do meio ambiente.
Ao finalizar a mensagem, Lula solicita que os eleitores evangélicos busquem "discernimento" por meio da oração para definir sua escolha nas urnas.
Mobilização e cenário eleitoral
A iniciativa ocorre em um momento de resistência do eleitorado evangélico. Dados da pesquisa Quaest, de 28 de setembro, indicavam que Lula detinha 27% das intenções de voto nesse grupo no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) liderava com 46%. Já a simulação de segundo turno do Datafolha, de 1º de outubro, mostrou os dois candidatos tecnicamente empatados no geral (48% contra 45%), mas com vantagem de Flávio Bolsonaro entre os evangélicos.
Paralelamente ao envio da carta, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o advogado-geral da União, Jorge Messias, divulgaram um vídeo convidando o público cristão para o canal “Cristãos com Lula 13”, focado na mobilização religiosa para a reeleição.
Contexto institucional
Essas movimentações coincidem com a votação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala de trabalho 6x1, bandeira central da campanha de Lula.
No campo digital, a nova estratégia de mobilização surge após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinar a suspensão, por 48 horas, do canal “Exército do Lula”, gerido pelo deputado André Janones (Rede-MG). A decisão foi assinada pelo ministro Kassio Nunes Marques.
O uso de cartas para dialogar com evangélicos é um recurso recorrente do presidente e do PT. Em junho deste ano, o partido enviou mensagem similar reafirmando o respeito às igrejas, e, em 2022, Lula utilizou o formato para defender a liberdade religiosa e declarar-se contrário ao aborto.