Lula manifesta confiança na vitória e critica ligações de Flávio Bolsonaro com milícias no Rio
Em ato no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou confiança na vitória eleitoral e criticou a gestão anterior. O petista questionou a conduta de Flávio Bolsonaro, prometeu investimentos na Baixada Fluminense e pediu a redução da abstenção nas urnas
Durante ato com apoiadores em Copacabana, no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou confiança em sua vitória no segundo turno das eleições presidenciais. O petista defendeu que a população busca mudanças para a melhoria do país, contrastando sua proposta de futuro com a gestão anterior, a qual classificou como um período de retrocesso nas áreas de saúde, educação, trabalho, cultura e política externa.
Questionamentos sobre segurança e justiça
O presidente fundamentou sua confiança na rejeição de candidatos com supostas ligações a grupos criminosos, afirmando que o Palácio do Planalto não deve ser ocupado por um "miliciano". A declaração faz referência a suspeitas que envolvem Flávio Bolsonaro, que teria contratado parentes do miliciano Adriano da Nóbrega durante seu mandato como deputado estadual na Alerj, além de ter concedido honrarias a policiais investigados por envolvimento com milícias. Em contrapartida, o candidato do PL nega qualquer vínculo com milicianos e justifica que as condecorações foram destinadas a agentes com ficha limpa.
Lula também relembrou a atuação jurídica de Flávio Bolsonaro na defesa do cabo da Polícia Militar Bruno Dias Delarolli. O policial é réu por homicídio doloso após a morte de Ana Clara, menina de 5 anos assassinada em 2021 em Niterói. O senador assinou um recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a decisão que determinou que o caso fosse julgado pelo Tribunal do Júri. O episódio ganhou repercussão após Flávio, em debate recente, confundir o nome da mãe da vítima, Cristiane Gomes da Silva, chamando-a de Ana Clara.
Disputas patrimoniais e promessas regionais
No litoral fluminense, o presidente afirmou que pretende intervir em uma disputa imobiliária em Angra dos Reis envolvendo o advogado Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro. O caso, citado anteriormente em debate na TV Globo, envolve o jogador Richarlison Andrade, que alega ter investido R$ 10 milhões em uma mansão. O atleta acusa o senador e o advogado de tentarem retirar seus direitos sobre a propriedade após ele ter se recusado a vendê-la.
Em relação a compromissos para o estado do Rio de Janeiro, Lula prometeu a conclusão de obras inacabadas e a implementação de investimentos federais na Baixada Fluminense.
Divergências programáticas e mobilização
O presidente apontou riscos institucionais caso o candidato do PL seja eleito, alegando que haveria a privatização do Sistema Único de Saúde (SUS) e a reversão do fim da escala de trabalho 6x1, pontos que são negados por Flávio Bolsonaro.
Ao final do evento, Lula utilizou metáforas sobre patriotismo e mobilização digital, referindo-se ao canal "Exército do Lula" no WhatsApp como um grupo de paz, onde a "arma" seria a urna e a "bala" o número 13. O presidente encerrou solicitando que os apoiadores incentivem o comparecimento às urnas neste domingo, visando reduzir a abstenção eleitoral, que atingiu o recorde de 21,08% no primeiro turno.