Lula promete retomar territórios dominados por facções criminosas no Rio de Janeiro se for reeleito
Em comício no Rio de Janeiro, Luiz Inácio Lula da Silva prometeu retomar territórios dominados por facções e expandir a segurança pública via PEC. O presidente propôs a implementação de escola em tempo integral e a valorização de minerais críticos mediante transferência de tecnologia
Durante ato de campanha realizado no estádio do Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, neste sábado (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comprometeu-se a retomar territórios dominados por facções criminosas e devolvê-los à população fluminense em caso de reeleição.
Para viabilizar a medida, o presidente destacou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) enviada ao Congresso, que visa ampliar a atuação da União na segurança pública, área atualmente sob responsabilidade dos estados. O texto já foi aprovado pela Câmara e aguarda votação no Senado. Com a sanção da proposta, o governo planeja recriar o Ministério da Segurança Pública e intensificar a preparação da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
A pauta de segurança é um dos pontos centrais da estratégia petista para as eleições, especialmente diante de pesquisas de opinião que indicam baixa avaliação do governo no setor, ponto explorado por adversários como o candidato do PL, Flávio Bolsonaro.
Educação e Defesa Nacional
No campo educacional, o presidente propôs a implementação de escola em tempo integral em todas as unidades públicas do país, além da expansão dos institutos federais. Lula mencionou a meta de elevar para 50 milhões o número de brasileiros com diploma universitário, contrastando com os 5 milhões de 2003 e os 25 milhões atuais.
Sobre a soberania nacional, o presidente afirmou que pretende reforçar os investimentos em defesa nacional e recuperar a indústria do setor em um eventual quarto mandato, enfatizando a busca por respeito internacional e a ausência de intenções bélicas.
Recursos Minerais e Geopolítica
O presidente abordou a disputa global entre Estados Unidos e China pelo controle de terras raras e minerais críticos, insumos essenciais para a fabricação de eletrônicos, equipamentos de defesa e a transição energética. O Brasil detém a segunda maior reserva mundial desses recursos, ficando atrás apenas da China.
Lula declarou que não possui preferência diplomática entre as potências, mas condicionou a exploração desses minerais à colaboração no desenvolvimento de tecnologia nacional. O objetivo, segundo o presidente, é garantir que a riqueza mineral sirva como base para o futuro das próximas gerações de brasileiros.
Contexto Político e Alianças
O evento no Rio de Janeiro marcou o terceiro comício da semana após o lançamento oficial da campanha em São Bernardo do Campo (SP), ocorrido no último domingo (16). O ato contou com a presença de aliados como Eduardo Paes (PSD), candidato ao governo do estado, e os candidatos ao Senado Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD).
A primeira-dama, Janja da Silva, também participou do evento, onde cantou um jingle gospel ao lado do pastor Kleber Lucas. Durante o discurso, o presidente utilizou referências religiosas, buscando ampliar sua aceitação entre o segmento evangélico.
No campo das divergências legislativas, Lula criticou a PEC relatada por Flávio Bolsonaro no Senado, que autoriza a venda de terrenos de marinha para ocupantes atuais. Enquanto o presidente questionou a medida, o candidato do PL nega que o texto vise a privatização do acesso às praias.