Política

Lula questiona Flávio Bolsonaro sobre disputa judicial de imóvel em Angra dos Reis durante debate

24 de Outubro de 2026 às 13:08 3 min de leitura

No debate da TV Globo, Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre a disputa judicial de um imóvel em Angra dos Reis (RJ). O jogador Richarlison Andrade acusa o senador e o advogado Willer Tomaz de irregularidades na obtenção da posse da área. O STJ manteve decisão favorável à empresa de Tomaz, e o caso foi arquivado em janeiro de 2026

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Lula questiona Flávio Bolsonaro sobre disputa judicial de imóvel em Angra dos Reis durante debate
Instagram e Wilton Junior/AE

Durante o último debate da TV Globo, realizado na sexta-feira (23), o presidente Lula questionou o senador Flávio Bolsonaro sobre a disputa judicial por um imóvel localizado em uma ilha em Angra dos Reis (RJ). O embate ocorreu no bloco de tema livre, a dois dias do segundo turno da eleição presidencial, marcando o encontro final entre os candidatos antes da votação de domingo (25).

Lula afirmou que Willer Tomaz, advogado e amigo de Flávio, teria regularizado os direitos do imóvel em apenas uma semana, enquanto o jogador Richarlison Andrade aguardava a resolução de sua situação. Em resposta, o senador negou qualquer irregularidade, ressaltando que o caso já possui decisão definitiva da Justiça. Flávio admitiu a amizade com Tomaz, mas negou sociedade comercial, sugerindo que o atleta teria sido enganado durante a negociação.

A disputa pelos direitos de ocupação

O conflito envolve a posse de uma mansão na Ilha Comprida, área que pertence à União. Richarlison acusa o senador de ter se aliado a Willer Tomaz para retirar dele os direitos de ocupação da área. O jogador afirma ter investido aproximadamente R$ 10 milhões no imóvel por meio de uma empresa da qual é sócio, sendo R$ 4,66 milhões destinados a antigos ocupantes e o restante aplicado em segurança e reformas.

O atacante relatou que Flávio Bolsonaro demonstrou interesse na compra da propriedade, mas, diante de sua recusa em vender, o senador e o advogado teriam obtido a posse via judicial de forma acelerada. Segundo Richarlison, enquanto seu pedido de regularização na Secretaria do Patrimônio da União (SPU) ficou sem conclusão por dez meses a partir de setembro de 2021, a solicitação do grupo de Tomaz teria sido finalizada em um único dia, em julho de 2022.

Histórico judicial e desdobramentos

A disputa jurídica teve início em 2022, com uma ação de reintegração de posse movida pela empresa M Locadora de Veículos e Transportes Turísticos Ltda. contra a Sport 70, ligada ao jogador. Durante o processo, houve alegações de falsificação de assinaturas de uma das representantes da M Locadora, uma mulher de 78 anos, que teria sido ludibriada para ceder a área.

Em maio de 2023, o juiz Ivan Pereira Mirancos Junior extinguiu a ação principal devido a contradições entre os sócios da M Locadora sobre a posse do imóvel. No entanto, o processo seguiu com outras análises. Em junho de 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve decisão favorável à empresa de Willer Tomaz. O caso foi arquivado definitivamente em 23 de janeiro de 2026, após a homologação de uma renúncia do autor.

Posicionamentos e investigações

Willer Tomaz sustenta que a aquisição dos direitos foi legal e que Richarlison negociou com posseiros ilegítimos. O advogado afirma que o jogador é réu em Brasília por fazer acusações sem provas e que um inquérito policial sobre o tema foi arquivado por falta de indícios de crime.

Flávio Bolsonaro, que foi arrolado como testemunha no processo, nega envolvimento direto na disputa. Paralelamente, o senador e o advogado são investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de lavagem de dinheiro. A Polícia Federal aponta que Flávio teria sido cadastrado como "usuário master" em uma conta bancária de empresa de Tomaz, além de terem viajado juntos em aeronave de terceiros. Ambos negam a existência de negócios em conjunto.

Atualmente, o coletivo Derrubando Muros apresentou representação ao Ministério Público Federal (MPF) para que sejam apuradas possíveis irregularidades na regularização do terreno. Richarlison manifestou a intenção de continuar buscando a recuperação do imóvel ou dos valores investidos, prometendo doar parte de eventual indenização a um hospital em Nova Venécia (ES).

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