Lula rejeita classificação dos Estados Unidos que define PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou a classificação dos Estados Unidos que define o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. O governo brasileiro diferencia as facções criminosas, focadas no lucro, de grupos com motivações políticas ou ideológicas
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/u/t/l1ozyHSNSXwTGOp955gQ/afp-20250710-66ex3cq-v1-midres-combobrazilustarifftradediplomacy.jpg)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou a classificação feita pelos Estados Unidos, que definem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A declaração ocorre após a Casa Branca acusar o governo brasileiro de insuficiência no combate a essas facções criminosas.
Em seu pronunciamento, o presidente afirmou que o conceito de terrorismo deve ser aplicado aos eventos de 8 de janeiro e ao planejamento para assassinar autoridades dentro de uma trama golpista.
Divergências conceituais entre Brasil e EUA
O impasse reflete critérios jurídicos distintos entre as duas nações para a tipificação de grupos criminosos. Para o Departamento de Estado dos Estados Unidos, uma organização é considerada terrorista se for estrangeira, engajar-se em atividades terroristas (ou possuir a intenção de fazê-lo) e representar uma ameaça à segurança nacional, às relações exteriores ou aos interesses econômicos norte-americanos.
No Brasil, a legislação vincula o terrorismo a atos violentos motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, com o objetivo de gerar terror social ou expor a paz pública e o patrimônio a perigo.
Essa distinção foi detalhada em maio do ano passado por Mario Sabburro, então secretário nacional de Segurança Pública, durante reunião com uma comitiva americana no Ministério da Justiça. A diferença fundamental reside na motivação: enquanto grupos terroristas buscam fins políticos ou ideológicos, facções como o PCC e o CV focam no lucro via tráfico de drogas, armas e crimes financeiros. Adicionalmente, a tentativa de desestabilizar o Estado é apontada como outro fator diferenciador entre as categorias.
Impactos da designação como terrorista
A classificação adotada por Washington gera consequências legais e políticas severas, incluindo:
- Proibição de fornecimento de apoio material, como armas, dinheiro, serviços ou treinamento;
- Bloqueio de ativos financeiros e proibição de transações ligadas ao grupo;
- Negativa de vistos ou deportação de membros e associados;
- Isolamento internacional e interrupção de fluxos de financiamento.
Precedentes e ações internacionais
Desde o início do mandato de Donald Trump, em 2025, os Estados Unidos intensificaram a designação de grupos estrangeiros como terroristas. Em novembro do ano passado, a classificação foi aplicada ao Cartel de los Soles, organização venezuelana que os EUA apontam como sendo liderada por Nicolás Maduro.
Washington sustenta que o Cartel de los Soles opera em conjunto com a gangue Tren de Aragua, também classificada como terrorista, para o envio de entorpecentes aos EUA. Na ocasião, Trump declarou que tal medida conferia ao governo americano a prerrogativa de atacar alvos ligados a Maduro em solo venezuelano, ação que culminou na invasão da Venezuela pelo exército norte-americano e na captura de Maduro em janeiro deste ano.