Lula usará exigências de Donald Trump sobre tarifas em discurso na Assembleia-Geral da ONU
O governo de Donald Trump impôs 21 condições para revisar tarifas sobre produtos brasileiros, incluindo a compra de aviões da Boeing e maior acesso a minerais. O presidente Lula deve abordar o tema na ONU, enquanto o deputado Eduardo Bolsonaro pleiteia sanções contra ministros do STF em Washington
A relação entre o Brasil e os Estados Unidos retomou o protagonismo no debate político nacional. O movimento ocorre após a divulgação de exigências feitas pelo governo de Donald Trump para a revisão de tarifas impostas a produtos brasileiros no ano passado, somada às recentes atividades do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em Washington.
Estratégia de campanha e soberania nacional
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planeja intensificar a exploração do tema nas próximas semanas. O foco será a narrativa de defesa da soberania nacional, argumentando que as condições americanas para a suspensão do tarifaço configuram uma interferência em assuntos internos e a submissão do Brasil a interesses estrangeiros.
O assunto deve integrar o discurso de abertura do presidente Lula na Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York, na próxima semana. Aliados do petista pretendem sustentar que a eleição de um candidato alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro poderia ampliar a influência de Trump sobre as decisões do governo brasileiro.
Condições comerciais e interferências
As negociações para a suspensão das tarifas envolveram 21 condições impostas pelos Estados Unidos. Entre as exigências, o governo brasileiro destaca:
- A aquisição de aeronaves da Boeing por empresas aéreas do Brasil;
- O aumento da participação de companhias americanas na exploração de minerais estratégicos;
- Medidas relacionadas ao contexto político e judicial do país.
Pressão por sanções ao Judiciário
Paralelamente, o Palácio do Planalto monitora a ofensiva de Eduardo Bolsonaro junto à Casa Branca. O parlamentar esteve em Washington nesta semana para pleitear a aplicação de novas sanções contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, Flávio Dino e Alexandre de Moraes.
O governo Lula sinaliza que utilizará qualquer nova medida contra Moraes — relator da ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado de 2022 — como evidência de tentativa de interferência externa na disputa presidencial. O ministro já foi alvo de restrições baseadas na Lei Magnitsky, norma dos Estados Unidos voltada a punir indivíduos acusados de corrupção ou violações de direitos humanos.