Política

Lula viaja para a França para participar da Cúpula do G7 como convidado

11 de Junho de 2026 às 06:33

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará da Cúpula do G7, na França, nos dias 16 e 17. A agenda inclui a defesa da ampliação da Assistência Oficial ao Desenvolvimento e a reforma da governança global na ONU e OMC. O Brasil contribuirá com a elaboração de sete documentos, abordando temas como inteligência artificial e minerais críticos

Lula viaja para a França para participar da Cúpula do G7 como convidado
© ARQUIVO/RICARDO STUCKERT/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja nos próximos dias para Évian-les-Bains, na França, para participar como convidado da Cúpula do G7. O fórum, composto por Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Alemanha, Japão e a União Europeia, terá a presidência francesa este ano, com a expectativa de pactuar uma declaração conjunta sobre o fortalecimento da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD).

A agenda do presidente brasileiro, confirmada pelo Itamaraty, inicia-se no dia 16, em uma sessão de líderes voltada a parcerias internacionais para o desenvolvimento. Na ocasião, Lula deve pleitear a ampliação da AOD, que consiste em repasses financeiros de nações industrializadas para países vulneráveis. O embaixador Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores, destacou que a queda desses valores nos últimos anos tem gerado preocupação entre as economias em desenvolvimento.

No dia 17, o presidente participará de outra sessão focada no crescimento econômico equilibrado. O objetivo é defender a reforma da governança global, com ênfase na reestruturação da Organização das Nações Unidas (ONU) — incluindo seu Conselho de Segurança — e da Organização Mundial do Comércio (OMC). Em reunião ministerial recente, Lula justificou sua presença no G7 pela necessidade de conter o desmonte do multilateralismo e das instituições democráticas, defendendo a reconstrução da ONU em vez de sua anulação.

Essa movimentação ocorre após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugerir a aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras. A medida é fruto de uma investigação iniciada no governo de Donald Trump sobre supostas práticas desleais do Brasil, citando especificamente o Pix como um fator de prejuízo a operadoras de cartões de crédito e serviços de pagamento estadunidenses, como Visa, MasterCard e WhatsApp Pay.

Ainda no dia 17, a comitiva brasileira participará de um almoço sobre Inteligência Artificial (IA), onde apresentará a visão do país sobre os riscos e oportunidades da tecnologia. Internamente, o Congresso Nacional brasileiro discute a regulação do tema, com a Câmara dos Deputados prevendo votar ainda este ano um projeto oriundo do Senado. O texto propõe que a IA seja ética, transparente e livre de vieses, proibindo tecnologias que causem danos à saúde ou a direitos fundamentais, ao mesmo tempo em que busca preservar a inovação e a livre concorrência.

Embora não seja membro pleno e não participe das negociações finais dos textos, o Brasil contribuirá com a elaboração de sete documentos do G7. Além das pautas de desenvolvimento e crescimento econômico, o país deve abordar a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, baseando-se na legislação do ECA Digital. A agenda do grupo inclui ainda o combate ao narcotráfico, a luta contra o câncer e o enfrentamento ao contrabando de migrantes.

Um ponto estratégico para a diplomacia brasileira é a discussão sobre minerais críticos, área em que o Brasil detém a segunda maior reserva mundial. Segundo o embaixador, o interesse nacional reside em garantir que a exploração desses recursos seja vinculada ao desenvolvimento e à agregação de valor no local de extração.

Com informações de Agência Brasil

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