Lula viaja para a França para participar do G7 e tentar negociar tarifas com Estados Unidos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja neste domingo à França para a reunião do G7. A agenda inclui encontros com Emmanuel Macron, Sanae Takaichi e demais líderes, além de debate sobre inteligência artificial. O governo brasileiro busca viabilizar diálogo com Donald Trump para negociar tarifas impostas a produtos nacionais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja neste domingo (14) para a França, onde participará da reunião de líderes do G7, programada para terça-feira (16), em Évian-les-Bains. A estratégia do Palácio do Planalto é assegurar a presença do mandatário brasileiro já na segunda-feira (15), primeiro dia do evento, para viabilizar um possível encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caso este participe apenas da abertura da cúpula, como ocorreu no encontro anterior no Canadá.
Embora não existam reuniões bilaterais previamente agendadas ou solicitações formais entre a Casa Branca e o governo brasileiro, a possibilidade de diálogo entre os dois presidentes permanece aberta. O contexto desse eventual encontro é marcado por uma ofensiva tarifária dos Estados Unidos contra produtos brasileiros, que pode elevar a carga tributária total para 37,5%. O governo brasileiro avalia que a tarifa adicional de 25%, motivada por alegações de práticas comerciais desleais, ainda pode ser revertida via negociação. Já a sobretaxa de 12,5%, justificada por supostas falhas no combate ao trabalho forçado, é considerada pela equipe brasileira como uma decisão consolidada.
Durante a cúpula, Lula deve adotar um posicionamento crítico ao unilateralismo e ao protecionismo. A intenção é manifestar a oposição ao aumento de tarifas imposto pelo governo americano sem, contudo, confrontar diretamente Donald Trump. Essa linha de atuação já foi iniciada na semana passada, quando o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, representou o Brasil em reunião preparatória comandada por Emmanuel Macron, defendendo o fortalecimento de organismos como a Organização Mundial do Comércio (OMC) diante de medidas unilaterais.
A agenda do presidente inclui uma reunião com o anfitrião, Emmanuel Macron, na segunda-feira (15), além de um encontro bilateral com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. Lula também pretende dialogar com os líderes da Alemanha, Canadá, Itália e Reino Unido.
Outro ponto central da programação é um almoço para debater a inteligência artificial. Na ocasião, o presidente brasileiro deve argumentar que o país não discrimina plataformas digitais nem persegue empresas do setor, reiterando que o Brasil está aberto a operações de tecnologia, desde que as companhias respeitem a legislação nacional. O tema é sensível, pois o Escritório do Representante Comercial americano (USTR) utilizou a atuação do Poder Judiciário brasileiro contra empresas de tecnologia dos Estados Unidos como uma das justificativas para a implementação do tarifaço.