Mais de 400 candidatos usam referências religiosas em nomes de urna para as eleições de 2026
Registros do TSE indicam que 404 candidatos às eleições de 2026 usam referências religiosas nos nomes de urna, com predominância no Legislativo. A identificação como pastor ou pastora é a mais comum, e o MDB possui o maior número de nomes. O Rio de Janeiro lidera a quantidade de candidatos com esse perfil
Cerca de 404 candidatos nas eleições de 2026 incluíram referências religiosas em seus nomes de urna, de acordo com registros de campanhas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O movimento é predominante em disputas para o Legislativo, onde se concentram 389 nomes, ou 96% do total.
Dentre esses, a maioria concorre a vagas de deputado estadual (220 candidatos) e deputado federal (157). O restante divide-se entre deputados distritais (12), segundos suplentes de senador (7), senadores (4), vice-governadores (3) e um primeiro suplente de senador.
Distribuição por denominações e cargos
A identificação como pastor, pastora ou a sigla PR é a mais frequente, abrangendo 295 pessoas, o que representa 73% do grupo. Outras nomenclaturas incluem:
- Irmão ou irmã: 43 candidatos (10,5%), termos comuns em comunidades evangélicas e entre freiras católicas.
- Religiões de matriz africana: 28 nomes (7%), utilizando a expressão mãe, pai ou nomes de orixás.
- Bispo: 21 candidatos (5%).
- Padre: 10 candidatos (2,5%).
- Apóstolo ou apóstola: 5 candidatos.
- Reverendo e frei: um candidato para cada título.
Apesar da visibilidade nos nomes de urna, apenas 35 desses candidatos declararam formalmente a ocupação de sacerdote ou membro de ordem ou seita religiosa. Nesse grupo específico, 28 utilizam a identificação de pastor/pastora, quatro são padres, duas se identificam como mãe e um como bispo.
Partidos e Geografia
O MDB lidera a quantidade de candidatos com identificações religiosas, somando 37 nomes. Na sequência estão o Republicanos, com 30, e o DC, com 28.
Geograficamente, o Rio de Janeiro registra o maior volume, com 50 candidatos. São Paulo aparece logo atrás com 49, seguido por Pernambuco, com 31.
Análise Institucional
O uso de títulos religiosos na urna indica a utilização da fé como plataforma e agenda política, extrapolando a mera identidade pessoal. No entanto, o volume de candidatos religiosos pode ser maior do que os dados de nomenclatura sugerem, já que há figuras que, embora pertençam a comunidades religiosas, não adotam títulos no nome de urna, como é o caso de Michelle Bolsonaro (PL), candidata ao Senado pelo Distrito Federal.