Política

Mário Frias atuou como produtor de cinebiografia de Jair Bolsonaro financiada por Daniel Vorcaro

19 de Maio de 2026 às 18:05

O deputado Mário Frias e Eduardo Bolsonaro atuaram como produtores executivos da cinebiografia "Dark Horse", que recebeu cerca de R$ 61 milhões de Daniel Vorcaro. O senador Flávio Bolsonaro intermediou as negociações financeiras. Frias apresentou versões contraditórias sobre a origem dos recursos e a relação com o investidor

O deputado Mário Frias (PL-SP), que atuou como secretário especial da Cultura no governo de Jair Bolsonaro, exerceu a função de produtor executivo da cinebiografia "Dark Horse", junto a Eduardo Bolsonaro. De acordo com o contrato de produção, essa atribuição envolvia a captação de recursos, a identificação de patrocínios e a preparação de documentações para investidores, atividades coordenadas com a produtora GoUp.

A produção do longa-metragem foi alvo de aportes financeiros de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, que repassou aproximadamente R$ 61 milhões ao projeto antes de ser preso. O senador Flávio Bolsonaro admitiu ter intermediado as negociações e cobrado pagamentos do banqueiro.

Registros de mensagens e áudios revelam a interação direta entre Mário Frias e Vorcaro. Em 11 de dezembro de 2024, o deputado enviou um áudio agradecendo o apoio ao filme, conversa ocorrida pouco depois de uma agenda prevista entre o senador Flávio Bolsonaro e o empresário. Em 15 de dezembro, Frias compartilhou com Vorcaro capturas de tela de diálogos com o diretor Cyrus Nowrasteh. Nas mensagens, o diretor mencionava a possibilidade de escalar o ator Jim Caviziel para interpretar o ex-presidente, condicionando a contratação à leitura do roteiro e à definição de honorários.

Em nova troca de mensagens no dia 22 de dezembro de 2024, Frias descreveu a obra como um "grande milagre" e uma "questão de justiça divina", afirmando que a história de Jair Bolsonaro precisava ser revelada para as futuras gerações. Na ocasião, o parlamentar também escreveu que "2026 é do Brasil".

Houve contradições nas declarações oficiais de Mário Frias sobre a origem do financiamento. Inicialmente, em nota divulgada no dia 14, o deputado negou que a cinebiografia tivesse recebido qualquer valor de Daniel Vorcaro. Posteriormente, em entrevista concedida no dia 18, Frias admitiu ter enviado agradecimentos ao banqueiro e a outros investidores, alegando que sua relação com Vorcaro restringia-se ao projeto do filme e que o empresário teria atuado como ponte para outros investidores.

Após a divulgação de que Vorcaro financiou a obra e a confirmação do senador Flávio Bolsonaro sobre os repasses, Mário Frias publicou nova nota. O parlamentar recuou da negativa anterior e passou a sustentar que nem o Banco Master nem Daniel Vorcaro figuravam como investidores diretos, afirmando que o vínculo jurídico do projeto era estabelecido com a Entre Investimentos.

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