Mauro Vieira alerta nações da Celac sobre a relativização da soberania em Nova York
O ministro Mauro Vieira alertou a Celac sobre a relativização da soberania após o governo brasileiro identificar tentativas de interferência dos Estados Unidos nas eleições nacionais. O Brasil defende a eleição de uma mulher latino-americana para a liderança da ONU
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O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, alertou representantes de nações da região sobre a relativização da soberania durante reunião de ministros da Comunidade dos Estados Latino-Americanos (Celac), em Nova York. A declaração ocorre após a avaliação do governo brasileiro de que os Estados Unidos têm tentado interferir nas eleições brasileiras.
O ministro acompanha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que discursa nesta terça-feira (22) na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). A expectativa é que o presidente também defenda a soberania nacional em seu pronunciamento, enviando mensagens à comunidade internacional sem citar nomes específicos, como o de Donald Trump, para evitar embates diretos.
Tensões diplomáticas e econômicas
A postura do governo brasileiro reflete um cenário de atritos com a gestão de Donald Trump, que adotou medidas impactantes contra o Brasil, incluindo:
- A imposição de dois tarifas sobre produtos brasileiros, sob a justificativa de práticas desleais contra empresários americanos e falhas no combate ao trabalho forçado.
- A classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais, alegando que as facções atuam em território americano devido a falhas no combate interno no Brasil.
- A indicação de um político alinhado à direita, e não um diplomata, para o cargo de embaixador no Brasil, com perfil favorável a intervenções militares na região.
Recentemente, Lula e Trump mantiveram uma conversa telefônica de aproximadamente 90 minutos. Na ocasião, o presidente americano mencionou as eleições brasileiras, ao que Lula respondeu que o sistema de votação é confiável e o processo transcorre normalmente. O presidente brasileiro já manifestou publicamente o desejo de se encontrar com Trump para solicitar que não haja interferência no pleito deste ano.
Representatividade na ONU
Ainda no encontro com a Celac, Mauro Vieira reforçou a posição do Brasil em favor da eleição de uma mulher da região para assumir o comando da ONU, sucedendo o português Antonio Guterres, cujo mandato termina este ano.
Embora o Brasil apoiasse a candidatura de Michelle Bachelet, a ex-presidente do Chile desistiu da disputa. O governo brasileiro ainda não definiu um novo nome, mas sustenta que a América Latina possui mulheres qualificadas para ocupar, pela primeira vez na história, o cargo máximo da organização.