Menos da metade dos senadores que buscaram a reeleição conseguiram manter seus mandatos
Apenas 14 dos 32 parlamentares que disputaram a reeleição ao Senado conseguiram manter seus mandatos, representando 43,8% dos candidatos. Enquanto 11 eleitos ampliaram sua votação, sete derrotados também registraram crescimento de votos e outros 11 perderam rendimento nas urnas
Menos da metade dos parlamentares que buscaram a reeleição ao Senado no último domingo (4) conseguiram manter seus mandatos. Dos 32 candidatos, apenas 14 (43,8%) foram eleitos. O resultado revela que o crescimento na votação não foi garantia de vitória, enquanto a queda de rendimento foi determinante para a saída de figuras centrais do Congresso.
Crescimento de votos sem sucesso eleitoral
Sete senadores derrotados registraram um desempenho superior ao de 2018, somando, juntos, um acréscimo de 910.967 votos. Mesmo com a alta, não alcançaram as vagas necessárias. O caso mais expressivo foi o de Zequinha Marinho (Podemos-PA), que saltou de 1.374.956 para 1.889.653 votos, um aumento de 514.697.
Outros parlamentares que ampliaram sua votação, mas perderam a disputa, foram:
- Leila Barros (PDT-DF): subiu de 467.787 para 686.340 votos, mas foi superada por Michelle Bolsonaro (PL-DF) e Bia Kicis (PL-DF).
- Renan Calheiros (MDB-AL): passou de 621.562 para 731.045 votos, ficando atrás de Arthur Lira (PP-AL) e Marina JHC (PSDB-AL) por uma diferença de 195,8 mil votos.
- Carlos Fávaro (PSD-MT): de 371.857 para 411.020.
- Carlos Viana (PSD-MG): de 3.568.658 para 3.583.487.
- Ciro Nogueira (PP-PI): de 897.959 para 904.961.
- Esperidião Amin (PP-SC): de 1.226.064 para 1.233.034.
As derrotas não seguiram um padrão ideológico único. Em Mato Grosso, Santa Catarina, Distrito Federal e Alagoas, os senadores foram vencidos por candidatos de centro-direita. Já no Piauí, Pará e Minas Gerais, prevaleceram candidatos de centro-esquerda.
Parlamentares que ampliaram a base e venceram
Onze senadores conseguiram a reeleição aumentando a quantidade de votos em relação ao pleito anterior, com oito deles figurando entre os mais votados da corrida. Eduardo Braga (MDB-AM) obteve o melhor desempenho proporcional, sendo o único a mais que dobrar sua votação, saltando de 607.286 para 1.240.471 votos.
Carlos Portinho (PL-RJ) teve o maior crescimento nominal, passando de 2.382.265 para 4.264.932 votos. Vale notar que, em 2018, Portinho era 1º suplente de Arolde de Oliveira (PSD-RJ), falecido durante a pandemia, e não o cabeça da chapa.
Outros eleitos com alta de votos incluem:
- Humberto Costa (PT-PE): de 1.713.565 para 2.531.389.
- Marcelo Castro (MDB-PI): de 812.213 para 1.307.833.
- Styvenson Valentim (Podemos-RN): de 745.827 para 1.055.000.
- Rogério Carvalho (PT-SE): de 300.247 para 511.142.
- Eduardo Gomes (PL-TO): de 248.358 para 450.191.
- Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB): de 844.786 para 974.550, vencendo Nabor Wanderley Motta (Republicanos-PB) por 79 mil votos.
- Plinio Valério (PSDB-AM): de 834.809 para 948.793, superando seu concorrente por 39,6 mil votos.
- Lucas Barreto (PSD-AP): de 128.186 para 213.948.
- Márcio Bittar (PL-AC): de 185.066 para 223.972.
Queda de rendimento e rejeição
Outros 11 senadores perderam força nas urnas e não conseguiram a reeleição. No Espírito Santo e no Maranhão, o eleitorado rejeitou ambas as representações eleitas em 2018.
A maior queda foi a de Marcos do Val (Avante-ES), que teve uma redução de 80,6% em sua votação, caindo de 863.359 para 167.900 votos, terminando em sexto lugar.
Entre as perdas institucionais relevantes está a de Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, que perdeu a vaga para Rayssa Furlan (Podemos-AP) e Lucas Barreto (PSD-AP). Rodrigues teve uma redução de 100.941 votos em comparação a 2018, perdendo a reeleição por uma margem de 50 mil votos.
Zenaide Maia (PSD-RN) também não retorna ao Senado, após registrar 30 mil votos a menos que no pleito anterior, ficando a 5.765 votos de Samanda de Lula (PT-RN).
A redução de votos também afetou:
- Vanderlan Cardoso (PSD-GO): de 1.729.637 para 633.843.
- Angelo Coronel (Republicanos-BA): de 3.927.598 para 2.898.885.
- Weverton Rocha (PDT-MA): de 1.997.450 para 1.086.318.
- Eliziane Gama (PT-MA): de 1.539.942 para 696.298.
- Fabiano Contarato (PT-ES): de 1.117.036 para 521.431.
- Sérgio Petecão (PSD-AC): de 244.109 para 90.849.
- Soraya Thronicke (PSB-MS): de 373.712 para 340.788.
- Chico Rodrigues (PSB-RR): de 111.466 para 81.845.