Meta registra investimento recorde de 288,7 milhões de reais em campanhas eleitorais de 2026
Candidatos investiram ao menos R$ 288,7 milhões na Meta nas eleições de 2026, valor que representa 6% do orçamento total das campanhas. O PL lidera os gastos partidários com R$ 63,7 milhões, seguido pelo PT com R$ 37,9 milhões. O candidato Flávio Bolsonaro registrou o maior investimento individual, somando R$ 7,45 milhões
A Meta consolidou-se como a principal fornecedora de serviços para as campanhas eleitorais de 2026, registrando um volume de recursos recorde. Com base em dados parciais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do portal DivulgaCand, os candidatos investiram ao menos R$ 288,7 milhões diretamente na plataforma, que detém o Facebook, Instagram e WhatsApp.
O montante representa um salto significativo em relação aos pleitos nacionais anteriores. O valor gasto em 2026 é mais do que o dobro dos R$ 129 milhões declarados em 2022 e supera em 1.171% os R$ 22,7 milhões registrados em 2018. A participação da empresa no orçamento total das campanhas também cresceu progressivamente: de 0,7% em 2018, passou para 1% em 2020, 1,9% em 2022, 3% em 2024, atingindo 6% nos dados atuais de 2026.
Distribuição de gastos e impulsionamento
Os recursos são destinados a serviços de verificação de contas, anúncios e, principalmente, ao impulsionamento de postagens. Esta modalidade, que consiste no pagamento para ampliar o alcance de publicações, saltou de 2,5% do gasto total das campanhas em 2018 para 8,9% em 2026.
De acordo com a legislação eleitoral, a contratação de impulsionamento é restrita a partidos, coligações e candidatos. É vedado o pagamento a influenciadores para a promoção de candidaturas, assim como a monetização ou o impulsionamento de manifestações espontâneas de apoio.
Desempenho por partidos e candidaturas
No recorte partidário, o PL lidera os gastos com a Meta desde 2022, tendo declarado R$ 63,7 milhões em 2026, valor quase quatro vezes superior ao da eleição anterior. Na sequência, aparecem o PT (R$ 37,9 milhões), o PSD (R$ 30,3 milhões) e o União Brasil (R$ 23,3 milhões). Em 2018, o PSD ocupava o topo da lista com R$ 3,4 milhões.
Entre as candidaturas individuais, Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência no segundo turno, é quem mais investiu na plataforma, com R$ 7,45 milhões. O valor é quase três vezes superior aos R$ 2,59 milhões declarados por Lula (PT). O crescimento do investimento individual é evidente: enquanto em 2018 nenhum candidato ultrapassou a marca de R$ 1 milhão, em 2026 já são 24 candidaturas com gastos acima desse patamar, somando R$ 41 milhões.
Decisões judiciais e prazos
Paralelamente aos números, a Meta enfrenta pressões do TSE. O ministro Marco Aurélio Bellizze estabeleceu um prazo de 24 horas para que a empresa comprove a adoção de medidas que garantam a isonomia na distribuição de conteúdos políticos e anúncios no segundo turno. A decisão ocorre após questionamentos judiciais de Lula e Flávio Bolsonaro, que alegam prejuízos na veiculação de seus conteúdos.
Além disso, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, determinou que a Meta e o X suspendam o impulsionamento pago das contas do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e do influenciador Pablo Marçal até o fim do pleito, proibindo-os de republicar conteúdos vetados sob pena de multa de R$ 50 mil.
Os dados financeiros de 2026 são considerados um piso, pois não incluem gastos de diretórios partidários, agências de publicidade ou apoiadores. O montante final deve ser atualizado após o encerramento dos prazos de prestação de contas: 3 de novembro para candidatos do primeiro turno e 14 de novembro para quem disputa o segundo turno.